“PL do Veneno”: Marina Silva no Meio Ambiente não é suficiente para barrar projeto

Bancada do agronegócio acredita que texto será aprovado no Senado

Marina Silva assumiu ministério nesta quarta-feira (4);
Marina Silva assumiu ministério nesta quarta-feira (4); "PL do Veneno" é tida como uma das pautas mais complicadas

(REUTERS/Carla Carniel)

  • Bancada do agronegócio acredita que Marina Silva não é suficiente para barrar 'PL do Veneno';

  • Proposta muda as regras para a aprovação de defensores agrícolas e já foi aprovada na Câmara;

  • Apesar de Marina ser contra, o ministro da Agricultura não compartilha da mesma visão que ela.

A bancada do agronegócio acredita que a posição de Marina Silva no comando do Ministério do Meio Ambiente não será suficiente para barrar no Senado o projeto de lei que muda as regras para a aprovação de defensores agrícolas.

Conhecido como ‘PL do Veneno’ entre ambientalistas e autoridades ligadas à área da saúde, o texto foi aprovado na Câmara dos Deputados em fevereiro de 2022 e aguarda para ser votado no plenário do Senado. Em 29 de novembro, integrantes da área ambiental que compunham a equipe de transição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) conseguiram adiar a votação, marcada para aquele dia.

Ainda que Marina seja contra a proposta, não são todos os integrantes do governo federal que compartilham da mesma visão. O ministro da Agricultura, Carlos Favaro, tem posição diferente e, segundo interlocutores ouvidos pelo Metrópoles, a pasta irá apoiar a aprovação do projeto – possivelmente, com algumas mudanças na versão final.

Favaro, inclusive, decidiu promover ao cargo de secretário do ministério Carlos Goulart, membro da gestão Jair Bolsonaro (PL) que defende o ‘PL do Veneno’. Goulart atualmente trabalha como diretor do Departamento de Sanidade Vegetal e Insumos Agrícolas da pasta.

Conformadas com a provável aprovação do projeto no Congresso, lideranças ambientalistas agora esperam que o governo federal entre na discussão e tente costurar um novo texto, de forma a chegar a um acordo entre ambientalistas e agropecuaristas.

Entre os pontos capazes de terem um consenso está a prioridade na fila para aprovações de defensores agrícolas que sejam menos danosos ao meio ambiente.