PL planeja anunciar oposição ao governo Lula na próxima semana

Após ser pressionado por deputados da legenda, o presidente do PL, Valdemar Costa Neto, convocou uma entrevista na próxima semana qual pretende anunciar que o partido pelo qual o presidente Jair Bolsonaro concorreu à reeleição fará oposição ao presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

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A entrevista coletiva marcada para terça-feira visa afastar rumores de que o partido já estaria em negociação com o PT, de que foi um aliado histórico. Um dos pilares do Centrão, o PL elegeu a maior bancada para a Câmara de Deputados com 99 parlamentares ao abrigar Bolsonaro em novembro do ano passado para disputar a reeleição.

Com o ingresso do presidente, a legenda atraiu aliados bolsonaristas puxadores de votos nos estados que contribuíram para o êxito do PL nas eleições. A sigla, contudo, permanece abrigando os deputados fisiológicos. A estimativa na Executiva do próprio partido é que, dentre os 99 deputados eleitos, mais de 40 estarão dispostos a ajudar o futuro governo, se forem atendidos com cargos e emendas.

Integrantes do PL acreditam que, em um primeiro momento, toda a bancada deveria se posicionar como opositora ao governo Lula. Porém, há uma ala que defende que o partido acabe usando a resistência dos deputados bolsonaristas para, mais tarde, “vender mais caro” o apoio dos parlamentares dispostos a negociar com o governo votação por votação.

Derrotado na urnas e sem cargo público pela primeira vez em 34 anos a partir de janeiro de 2023, Bolsonaro foi convidado a ocupar um cargo na direção do s PL. Seria uma forma de Bolsonaro ampliar sua remuneração — além das aposentadorias como capitão reformado e deputado — e seguir em evidência no cenário político.

O presidente do PL, o ex-deputado Valdemar Costa Neto, propôs a Bolsonaro ser presidente de honra da legenda. O cargo faz parte da Executiva Nacional, órgão que toma as principais decisões do partido. De acordo com membros do partido, ainda não houve uma definição.

Em paralelo, existe a ideia de que Bolsonaro monte um escritório em Brasília e passe a rodar o país fazendo palestras. O presidente deve continuar morando na capital federal.