PL tenta se descolar de Bolsonaro e busca aproximação com Moraes

Lideranças evitam se associar com projetos golpistas que contestam eleições

Avaliação é que Alexandre de Moraes tem um amplo apoio (REUTERS/Adriano Machado)
Avaliação é que Alexandre de Moraes tem um amplo apoio

(REUTERS/Adriano Machado)

  • Lideranças do PL estão tentando se aproximar do ministro Alexandre de Moraes;

  • Empreitada começou quando Valdemar abraçou intenções golpistas e pediu anulação de votos;

  • Tais membros consideram um "erro grave" bater de frente com o Judiciário.

Lideranças do PL, partido de Jair Bolsonaro, estão tentando se descolar de inciativas golpistas e se aproximar do ministro Alexandre de Moraes, membro do Supremo Tribunal Federal (STF) e presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

A empreitada começou depois que o presidente da sigla, Valdemar Costa Neto, apresentou uma ação no TSE questionando o resultado da eleição presidencial e pedindo a invalidação de quase 300 mil votos no segundo turno. Ele não abrangeu o primeiro turno – quando vários políticos do PL conseguiram cadeiras no Congresso e em governos. Na época, ele sofria pressão de Bolsonaro.

De acordo com a coluna de Bela Megale, do Globo, lideranças do partido passaram a buscar um canal direto com Moraes para deixar claro que confiavam nas urnas eletrônicas e que optariam sempre pelo diálogo. Elas ainda ameaçaram deixar o PL.

Nas conversas com Costa Neto e com Moraes, os políticos afirmaram ser um “erro grave” brigar com o Judiciário – ainda mais que, na avaliação dessas lideranças, o ministro tem um amplo apoio, especialmente após os atos terroristas de 8 de janeiro no Distrito Federal. Comprar uma briga com Moraes, portanto, seria confrontar toda a Corte.

Qual a reação de Costa Neto?

O presidente do PL tem ficado parado, sem buscar qualquer aproximação com Moraes. Na avaliação dele, segundo membros do partido, Bolsonaro e outros filiados serão alvos centrais nas investigações sobre o vandalismo às sedes dos Três Poderes – o que tornaria este momento impróprio para um diálogo com o ministro.

Ele também não se envolveu em mais nenhuma ação de contestação ao resultado das urnas. O motivo é que, após a última ação protocolada, Moraes aplicou uma multa de R$ 22,9 milhões ao PL sob a justificativa de se tratar de ‘litigância de má fé’.