PL vê Bolsonaro apático e sem capacidade de liderar a oposição a Lula

Bolsonaro participou de eventos, mas tem falado pouco (REUTERS/Adriano Machado)
Bolsonaro participou de eventos, mas tem falado pouco

(REUTERS/Adriano Machado)

  • Presidente do PL se assusta com fragilidade de Bolsonaro;

  • Valdemar Costa Neto esperava que mandatário assumisse a liderança da oposição a Lula;

  • Bolsonaro, no entanto, mal tem falado em eventos.

O presidente do PL, Valdemar Costa Neto, está surpreso com a fragilidade de Jair Bolsonaro (PL) após um mês da derrota nas urnas. A expectativa, segundo coluna de Guilherme Amado, do Metrópoles, era de que o mandatário despertasse para o papel de líder da oposição ao futuro governo Lula (PT).

A mudança de postura e fim da apatia, nas esperanças de Valdemar, aconteceria durante o jantar organizado pelo partido para as bancadas da Câmara e do Senado, na terça-feira (29). O presidente, no entanto, mal falou no evento.

A situação, somada ao silêncio de Bolsonaro desde que perdeu as eleições, evidenciou para Valdemar de que o mandatário terá pouca capacidade e disposição de comandar a oposição. Esse lugar, inclusive, já está sendo disputado pelo filho, Eduardo Bolsonaro, e por Carla Zambelli.

Parte do PL, no entanto, defende que bolsonaristas radicais como a deputada devem ser isolados na sigla. O objetivo seria impedir conflitos com o futuro governo Lula. A ideia ganhou mais força após um grupo de apoiadores do presidente hostilizar Arthur Lira (PP), presidente da Câmara, durante o jantar do PL.

Eduardo Bolsonaro, por sua vez, também não tem sido bem-visto pela legenda. O principal desgaste deve-se ao ‘flagra’ no Catar, enquanto assistia a um jogo da Copa do Mundo – episódio que lhe rendeu uma série de críticas, inclusive de manifestantes bolsonaristas que não aceitam o resultado das eleições.

Confinamento

Desde que perdeu no segundo turno, realizado em 30 de outubro, Bolsonaro se confinou no Palácio da Alvorada. Ele levou 45 horas para fazer um pronunciamento após a definição do resultado da eleição e passou apenas 5 horas no Palácio do Planalto, seu local de trabalho, após ficar longe por 20 dias.

No sábado passado (26), ele voltou a aparecer em público durante a cerimônia na Academia Militar das Agulhas Negras (AMAN), no Rio de Janeiro. O mandatário permaneceu em silêncio e não discursou.