Planalto determina sigilo de 100 anos a exames de anticorpos de Bolsonaro

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Brazil's President Jair Bolsonaro coughs during a ceremony to sanction the bill that create the Federal Regional Court, at the Planalto Palace in Brasilia, Brazil October 20, 2021. REUTERS/Ueslei Marcelino     TPX IMAGES OF THE DAY
Foto: REUTERS/Ueslei Marcelino
  • Presidente afirma que não precisa se vacinar por conta destes testes

  • Carteira de vacinação de Bolsonaro também está sob sigilo

  • Especialistas, OMS e Anvisa afirmam que tese não tem validade

O Palácio do Planalto impôs sigilo de até 100 anos aos exames de anticorpos de covid-19 feitos pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido). Bolsonaro tem afirmado, mesmo sem bases científicas, que não irá se vacinar contra a doença, pois seus testes atestam taxa de imunoglobulina suficiente para protegê-lo contra o coronavírus.

“No tocante à vacina, eu decidi não tomá-la mais. Eu estou vendo novos estudos, eu estou com o meu, a minha imunização está lá em cima, IgG está 991. Para que eu vou tomar uma vacina? Seria a mesma coisa que você jogar na loteria R$ 10 para ganhar R$ 2. Não tem cabimento isso daí”, afirmou o presidente à rádio Jovem Pan, referindo-se ao exame de anticorpos. O IgG é uma imunoglobulina, ou seja, um anticorpo, que é produzido a partir do 14º dia do início dos sintomas da covid-19.

O sigilo levanta novamente a suspeita de que o presidente pode já haver se imunizado, mas não divulgado a informação. Em janeiro, uma medida similar foi feita em relação à sua carteira de vacinação.

Se Bolsonaro não se vacinou, como afirma, ela se coloca contra protocolos básicos de saúde aceitos internacionalmente. O presidente já chegou a afirmar que seria o último brasileiro a se vacinar, no país onde a doença já matou 608 mil brasileiros, até a última quinta-feira (4).

“Eu não tomei vacina, estou com 991 [nível apontado pelo exame]. Eu acho que eu peguei de novo [o vírus] e nem fiquei sabendo”, disse o presidente a apoiadores no mês passado.

A tese de proteção por anticorpos é refutada pela Organização Mundial da Saúde (OMS), especialistas e pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Em nota técnica, emitida no dia 31 de março deste ano, o órgão regulador brasileiro enfatizou que testes de covid-19 não indicam proteção contra o vírus.

“Não existe, até o momento, a definição da quantidade mínima de anticorpos neutralizantes – que evitam a entrada e a replicação do vírus nas células – para conferir proteção imunológica contra a infecção, reinfecção, formas graves da doença e novas variantes de Sars-CoV-2 em circulação. Por isso, os testes para diagnóstico não podem ser utilizados para determinar proteção vacinal”, escreveu a Anvisa.

“Ainda não há embasamento científico que correlacione a presença de anticorpos contra o Sars-Cov-2 com a proteção à reinfecção”, acrescentou o documento. A entidade também divulgou comunicado sobre o assunto: “Atenção! A Anvisa alerta que os testes para diagnóstico de Covid-19 disponíveis no mercado não devem ser utilizados para atestar o nível de proteção contra o novo coronavírus após a vacinação contra a doença. Isso porque estes testes não têm essa finalidade”.

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