Planalto ignora acervo e expõe painel com lema de campanha ao lado de trajes de Bolsonaro e primeira-dama

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BRASÍLIA — O governo federal colocou em exibição no térreo do Palácio do Planalto um painel que tem como título o lema da campanha do presidente Jair Bolsonaro. A obra, batizada de "O Brasil Acima de Tudo e Deus Acima de Todos", foi doada pelo artista plástico alemão Heinz Von Haken-Budweg, radicado no Brasil. O governo Bolsonaro tem um histórico de alterações nas obras de artes que ficam no Planalto.

A tela tem cerca de 10 metros de comprimento e dois metros de altura e foi instalada na quarta-feira no Planalto, em uma parede que anteriormente ficava vazia. A instalação causou o deslocamento da exposição dos trajes utilizados por Bolsonaro e pela primeira-dama, Michelle Bolsonaro, na posse presidencial de 2019. Os trajes foram movidos para outro ponto do térreo.

Na semana passada, Bolsonaro publicou um vídeo registrando o momento em que recebeu a obra.

— Estou aqui com o seu Heinz e esposa, artista plástico. Veio nos doar, vou falar uma tela, né? Uma supertela. Onde ele, nesse painel, de ponta a ponta, ele mostra o Brasil lá do Sul até Roraima — diz o presidente na gravação, citando representações da Amazônia, do movimento de bandeirantes e do garimpo.

No ano passado, a "Piauí" mostrou que o governo federal retirou do Salão Nobre do Planalto, local onde são realizadas as principais cerimônias, o quadro "Orixás", da pintora Djanira da Motta e Silva (1914-1979). A tela foi levada para a "reserva técnica", onde ficam obras fora de exposição.

De acordo com Bolsonaro, a nova obra exposta no térreo é "arte de verdade":

— Nós vamos deixar um local aberto ao público, que é para mostrar que isso, sim, é uma arte de verdade. Estou muito feliz e, pode ter certeza, vai ajudar a gente aqui mostrar um pouco, pela sua arte, objetivamente o nosso Brasil.

No vídeo, Heinz Von Haken-Budweg afirma que não é uma arte "abstrata" ou "decorativa", mas sim uma pintura.

De acordo com seu site oficial, Von Haken-Budweg nasceu em 1940 na Alemanha e se mudou para São Paulo aos 13 anos, junto com toda a sua família. O livro "Lendas Brasileiras", com ilustrações dele, ganhou o prêmio Jabuti de Literatura Infantil em 1974. Von Haken-Budweg também já fez diversas trabalhas com tribos indígenas.

No ano passado, a colunista Bela Megale, do GLOBO, revelou que o governo estava fazendo obras para reduzir pela metade a biblioteca da Presidência da República, localizada no anexo I do Palácio do Planalto. O objetivo era receber a equipe do programa Pátria Voluntária, coordenado pela primeira-dama Michelle Bolsonaro. Na época, o presidente confirmou a obra, mas disse que nenhum livro seria retirado da biblioteca.

— Minha esposa faz um trabalho para as pessoas deficientes de graça. Arranjei um lugar para ela trabalhar lá na Presidência porque é melhor, fica mais perto dos ministros para despachar. E a biblioteca teve uma pequena diminuição — afirmou.

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