Planalto tira nome de Guaidó de nota na qual nega envolvimento em invasão à embaixada

TALITA FERNANDES
BRASILIA, DF, 13-11-2019: BRASIL-VENEZUELA - Oficiais da Polícia Militar do DF e um representante do MRE tentam fazer a mediação entre os grupos. Embaixada da Venezuela é palco de confronto entre grupos apoiadores do presidente autodeclarado Juan Guaidó e apoiadores do ditador Nicolas Maduro. Um grupo pró Guaidó (de camisa branca) entrou na embaixada e foi rechaçado pelo defensores de Maduro. Militantes de partidos de esquerda foram ao local para defender a embaixada e o governo de Maduro do que eles classificam como uma tentativa de invasão. (Foto: Pedro Ladeira/Folhapress)

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - O Palácio do Planalto divulgou nota negando que o presidente Jair Bolsonaro (PSL) tenha tomado conhecimento ou incentivado a invasão à embaixada da Venezuela em Brasília nesta quarta-feira (13).

Inicialmente, a publicação assinada pelo GSI (Gabinete de Segurança Institucional) falava em invasão por partidários do autoproclamado presidente da Venezuela, Juan Guaidó.

Minutos depois, no entanto, a assessoria de imprensa da Presidência divulgou nova versão do texto, em que é retirado o nome do líder que faz oposição ao ditador Nicolás Maduro.

"O presidente da República jamais tomou conhecimento e, muito menos, incentivou a invasão da embaixada da Venezuela", diz o texto atualizado, antes acrescido do trecho "por partidários do Sr. Juan Guaidó".

Ainda na mensagem, a assessoria de imprensa do GSI, pasta comandada pelo ministro general Augusto Heleno, diz que "indivíduos inescrupulosos e levianos querem tirar proveito dos acontecimentos para gerar desordem e instabilidade".

A invasão da embaixada por aliados de Guaidó nesta quarta causou constrangimento ao governo brasileiro, que sedia a cúpula dos Brics.

A intenção do Planalto era manter temas considerados controversos, como a situação da Venezuela e de outros países latino-americanos, como a Bolívia, fora da pauta.

Entre os chefes de Estado que participam do encontro estão os líderes da China, Xi Jinping, e da Rússia, Vladimir Putin, aliados de Maduro.

Ainda na nota, o GSI informou que as forças de segurança, da União e do Distrito Federal estão tomando providências para que a situação se resolva pacificamente e retorne à normalidade.

O gesto foi visto como proposital pelo governo brasileiro, pelo constrangimento diplomático no dia que marca o início da cúpula dos Brics.

Na manhã desta quarta, Tomás Silva, ministro-conselheiro e número dois da embaixadora María Teresa Belandria, representante de Guaidó, invadiu o prédio da embaixada em Brasília.

O episódio gerou tumulto no local, e a polícia militar teve de ser chamada. Parlamentares de partidos de esquerda do Brasil, como PT e PC do B, publicaram críticas nas redes sociais à atitude de Silva.

Aliados da Venezuela, como integrantes da diplomacia cubana em Brasília, também protestam contra o ingresso do diplomata oposicionista.

Nas primeiras horas da manhã, o encarregado de negócios da embaixada venezuelana em Brasília, Freddy Efrain Meregote Flores, distribuiu uma mensagem de áudio a aliados pedindo ajuda.

"Informo a vocês que pessoas estranhas estão entrando e violentando o território da Venezuela. Precisamos de ajuda, precisamos de ação imediata de todos os movimentos sociais de partidos políticos", afirmou Meregote na mensagem.

Enquanto apoiadores de Maduro falam em invasão, aliados de Guaidó afirmam que funcionários da embaixada facilitaram o ingresso na representação diplomática, o que seria um reconhecimento de sua legitimidade como presidente autoproclamado.