Planejando flexibilização, BH instala barreiras sanitárias nas entradas da cidade

FERNANDA CANOFRE

BELO HORIZONTE, MG (FOLHAPRESS) - Dez pontos de acesso de Belo Horizonte passaram a ter barreiras sanitárias nesta segunda-feira (18), onde motoristas e passageiros têm temperatura medida e respondem a um questionário.

Até o meio-dia, segundo dados da prefeitura, haviam sido abordados 1.668 veículos e 3.768 usuários --27 pessoas foram encaminhadas ao sistema de saúde com sintomas suspeitos do novo coronavírus. A ação é realizada por agentes de saúde, Polícia Militar e Guarda Municipal.

Entre as questões do questionário estão se a pessoa perdeu olfato, paladar, se tem sintomas respiratórios ou contato com pessoas que tenham. Uma triagem "grosseira", na definição do secretário de saúde Jackson Pinto, mas que serve para agilizar encaminhamento.

"Esses critérios -- sintomas respiratórios, perda de olfato e paladar -- permitem, apesar de serem perguntas sucintas, dar aproximadamente 70% de sensibilidade para se identificar um paciente com Covid-19", explica o infectologista Carlos Starling, membro do comitê da prefeitura.

As barreiras funcionarão de segunda a sexta, das 7h às 19h. A prefeitura mapeou as vias de acesso com maior tráfego para colocar as barreiras, nas divisas da capital com as cidades da região metropolitana.

A expansão das barreiras irá depender do avanço do cenário epidemiológico na capital mineira -- a previsão é de um total de 18 pontos.

Belo Horizonte tem 1.158 casos dos 4.695 confirmados em Minas Gerais e 31 das 161 mortes do estado, até esta segunda. A taxa de ocupação de leitos de UTI para Covid-19 na rede municipal é de 51%, nesta segunda; a ocupação total de leitos de enfermaria é de 32%.

Nesta segunda, parte das lojas do Mercado Central de BH também voltaram a funcionar. As portas de acesso tinham filas, com a entrada limitada a 370 pessoas e aviso do uso obrigatório de máscaras. Salões de beleza, restaurantes e bares seguem fechados.

O prefeito Alexandre Kalil (PSD) disse que o fechamento de algumas lojas foi injusto, já que supermercados funcionam como comércio essencial. Segundo a prefeitura, houve um mal entendido na interpretação do decreto, esclarecido em reunião na semana passada.

Alvo de protestos pedindo a reabertura, a gestão Kalil trabalha com a data do dia 25 de maio para começar a flexibilização e a retomada gradual do comércio. Se a data será confirmada, quais setores que poderão começar e como isso será feito, será anunciado apenas na sexta.

A prefeitura está elaborando um modelo próprio para orientar a reabertura, usando estudos já existentes e o protocolo criado pelo governo Romeu Zema (Novo), Minas Consciente, que recomenda ondas de setores a serem ativadas, de acordo com o cenário em cada município.

A queda no isolamento social nas últimas semanas, porém, é um fator que preocupa a prefeitura. Com base em dados das operadoras de celular, no início da semana passada a taxa de isolamento era de 49,4%, mas na sexta chegou a 47,9%. A média era em torno 50%, com picos de 60% nos fins de semana e feriados.

"Eu peço a população de Belo Horizonte que apertem o cinto, fiquem em casa, porque nós temos uma chance muito grande de começar uma flexibilização gradual, responsável, científica", afirmou Kalil.