Plano de Israel para anexar territórios palestinos pode enterrar solução de dois estados

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The placard reads 'No to the West Bank annexion'. Supporters of Palestine organized a gathering in Toulouse against the planned annexion of parts of West Bank and the total annexion of the Jordan Valley by Netanyahu governement on July 1st 2020. Netanyahu said he follows the Trump-Kushner peace plan in Israel/Palestine. However, most of UN's countries oppose the move on legal ground.Sympathizers of Palestine promote also the BDS (Boycot, Desinvest, Sanction) movement which is legal in France since a decision of the European Justice Court. Toulouse. France. July 1st 2020. (Photo by Alain Pitton/NurPhoto via Getty Images)
Manifestação em Toulouse, na França, contra a anexação de territórios de territórios palestinos (Foto: Alain Pitton/NurPhoto via Getty Images)

O primeiro ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, está correndo contra o tempo para concretizar um plano de anexação dos territórios palestinos. Ele tem 17 meses de mandato e até o fim do governo Donald Trump.

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Há, entre nacionalistas israelenses de direita, o sonho formar a “grande Israel” do antigo testamento da Bíblia, que vai “desde o rio do Egito até ao grande rio Eufrates”, descrita por Deus a Abraão no antigo testamento. Muitos deles são eleitores do Likud, de Bibi Netanyahu.

Para chegar a este objetivo, Netanyahu quer anexar mais uma parte da Cisjordânia. Especula-se que seja cerca de 30% do que forma hoje o território palestino. Supostamente, o plano deveria começar a ser debatido na Knesset, parlamento israelense, no último dia 1º. No entanto, a data foi adiada sem novo prazo.

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Karina Calandrin, mestre Relações Internacionais e colaboradora do Instituto Brasil-Israel, descreve que os territórios que Netanyahu pretende anexar são grandes cidades já ocupadas, onde vivem israelenses. Ela lembra ainda que a anexação já estava prevista no plano de paz proposto por Donald Trump no início de 2020.

“O projeto, para ser aprovado na Knesset, requer maioria simples. O que vem sendo discutido é que o atual governo, formado pelo Likud, de Netanyahu, e pelo Azul e Branco, de Benny Gantz, não estão em concordância”, explicou. Karina relembra que, durante a campanha, quando eram concorrentes, Gantz afirmou ser contra a anexação de territórios palestinos, enquanto Bibi Netanyahu sempre se posicionou a favor.

“Depois, quando fizeram a aliança, Gantz se mostrou um pouco mais disposto, o que gerou uma reação muito negativa dos eleitores. Aqueles que votaram em Gantz querendo que Netanyahu saísse do poder e, mais importante, querendo impedir uma possível anexação”, diz. No acordo entre os dois, ficou estabelecido que o mandato de primeiro-ministro seria divido, sendo que a primeira metade seria de Bibi e a segunda do líder do Azul e Branco.

Natália Nahas Calfat, doutoranda em ciência política pela USP e secretária-geral do Instituto de Cultura Árabe, avalia que Bibi vê uma janela de oportunidade dourada. Trump, que apoia o projeto de ocupação da Palestina tem uma reeleição pela frente – e as pesquisas não são boas para o republicano – e o próprio Netanyahu tem mais 17 meses pela frente.

“Existe essa janela de oportunidade e esse respaldo adicional ao projeto de Netanyahu. Isso começa em maio de 2018, quando os Estados Unidos transferem a embaixada, no ano seguinte reconhecem a anexação das Colinas do Golã, o apoio humanitário à Cisjordânia e a Gaza foi cessado. Isso também tem a ver com o apoio paulatino”, explica.

Natália ainda afirma que, com ou sem a aprovação da anexação pelo parlamento israelense, a ocupação é um movimento contínuo. Ela ainda critica a falta de uma pressão séria da comunidade internacional e também interna, da própria sociedade israelense.

“Chame de ocupação, anexação, com apoio de Trump ou não, estamos falando de enterrar o processo de paz e a possibilidade de dois estados”, afirma.

CONSEQUÊNCIAS PARA OS PALESTINOS

Natália aponta que, se houver efetivamente o sinal verde de Washington para anexar os 30% adicionais da Cisjordânia, o território da chamada Palestina história ficaria ínfimo. “Estamos falando de um processo de apagamento da questão palestina e de normalização da ocupação”, explica.

Para ela, a questão deixou de ser “se anexar”, mas “quando anexar”. “Israel está debatendo entre si e com suas próprias instituições políticas de quando anexar e quanto anexar. Me parece que a consequência para os palestinos é continuar com esse estado de anexação, esse estado de apartheid.”

Karina Calandrin segue na mesma linha. “Com certeza o povo palestino será afetado negativamente, mas ainda não sabemos como. O plano não deixa claro o que pretendem fazer com a população palestina que vive nos locais que serão anexados”, aponta.

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“Se eles tiverem cidadania israelense, eles viverão como os árabes israelenses, que têm uma certa autonomia, mas, claro, sabemos que existe preconceito e existe uma separação na sociedade, mas não é uma separação prevista em lei. É um preconceito e um racismo que existe na sociedade israelense”, descreve a especialista, que viveu um período em Israel. “Mas, se eles não tiverem, configura um problema ainda maior, que é a de cidadãos de segunda classe, uma situação de segregação.”

Ainda que seja dada a cidadania, lembra Karina, isso não tira o direito de autodeterminação do povo palestino. “Dar cidadania israelense para esses palestinos, é o que eles querem? Acredito que eles queiram uma cidadania palestina, isso não resolve o problema dos palestinos.”

IMAGEM DE ISRAEL

Desde a fundação da Organização das Nações Unidas, em 1945, a anexação de territórios é proibida. Sendo assim, se Israel efetivamente seguir em frente com o plano de Netanyahu, estará violando as leis internacionais.

Karina avalia que os custos internos e externos da anexação de 30% do território palestino são muito altos e Israel se isolaria ainda mais no cenário internacional. “Israel já vem se isolando. Isso faz com que a imagem de Israel fique muito desgastada no cenário internacional”, afirma.

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