Plano de Macron para reforçar poder aquisitivo na França avança no Parlamento

O presidente francês, Emmanuel Macron, conseguiu nesta sexta-feira que a Assembleia Nacional (câmara baixa) aprove seu plano de "emergência" para mitigar os efeitos do poder aquisitivo, seu primeiro grande texto desde que perdeu a maioria absoluta.

"O espírito de responsabilidade prevaleceu para proteger nossos cidadãos", disse a primeira-ministra Élisabeth Borne, após sua aprovação ao final de quatro dias de debate. Agora deve receber a aprovação do Senado.

O projeto foi adiante com 341 votos a favor, 116 contra e 21 abstenções graças ao apoio da oposição de direita e de extrema-direita. A frente de esquerda votou contra, exceto os socialistas que se abstiveram em sua maioria.

Como o resto da Europa, a França enfrenta o aumento dos preços da energia e dos alimentos, agravados pela ofensiva russa na Ucrânia. A inflação aumentou 5,8% ano a ano em junho, de acordo com o escritório de estatísticas Insee.

Desde o final de 2021, o governo multiplicou medidas para ajudar famílias e empresas em contexto pré-eleitoral, principalmente quando o primeiro mandato de Macron foi marcado por protestos sociais (“coletes amarelos”).

O projeto de lei aprovado triplica o benefício máximo de até 6.000 euros (US$ 6.100) livre de impostos e encargos que as empresas podem pagar a seus funcionários e limita os aumentos de aluguel a 3,5%.

Outras medidas incluídas buscam facilitar o cancelamento de assinaturas online e desvincular o benefício para adultos com deficiência da renda de seu cônjuge. O governo havia rejeitado o último até agora.

As críticas se concentram principalmente no setor de energia. Enquanto a Europa busca a independência do gás russo, a França está abrindo as portas para outras fontes, incluindo o gás de xisto dos Estados Unidos, e para a retomada de uma usina a carvão.

"Substituir o gás de [Vladimir] Putin pelo gás de xisto dos EUA... é uma loucura", disse a deputada ambientalista Delphine Batho. Para a ministra do ramo, Agnès Pannier-Runacher, trata-se apenas de trocar uma energia fóssil por outra.

O partido no poder, obrigado a negociar desde junho, aceitou sobretudo as emendas apresentadas pelos republicanos (LR), mas também aceitou a autorização do uso de óleos usados como combustível, conforme solicitado pelos ambientalistas.

A aprovação final do texto está prevista para o início de agosto.

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