Plano de paz americano quer levantar US$ 50 bilhões para palestinos

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Jared Kushner em Washington, em 12 de junho de 2019

Os Estados Unidos anunciaram neste sábado (22) que o plano de paz para o Oriente Médio que apresentarão na semana que vem no Barein busca levantar mais de 50 bilhões de dólares e criar 1 milhão de postos de trabalho para os palestinos.

Ao revelar detalhes do plano, batizado de Da Paz à Prosperidade, o governo de Donald Trump disse que a iniciativa pretende reformar a economia palestina, gerar mais investimentos estrangeiros e melhorar radicalmente a infraestrutura e governança interna na Cisjordânia e Faixa de Gaza.

A conferência que será realizada na terça e quarta-feira em Manama, liderada pelo genro e conselheiro do presidente americano, Jared Kushner, será uma oportunidade para apresentar este plano, que, mais tarde, incluirá um componente político, segundo as autoridades.

Mas a Autoridade Palestina já anunciou seu boicote ao plano, considerando que o governo Trump, que apoia abertamente Israel, tenta comprar os palestinos e, assim, privá-los de um Estado independente.

A Casa Branca classificou o plano, que deverá ser discutido em detalhes no Barein com autoridades financeiras dos ricos países árabes do Golfo, como "o esforço internacional mais ambicioso e abrangente para o povo palestino até o momento".

"O plano é um marco para um futuro mais brilhante e próspero para o povo palestino e a região, e uma visão do que é possível se houver a paz", diz um comunicado divulgado por Kushner.

- Ira palestina -

Segundo a Casa Branca, o objetivo é levantar mais de 50 bilhões de dólares para os palestinos durante uma década, a fim de mais do que dobrar o seu PIB e criar mais de 1 milhão de empregos.

Arriscando irritar os líderes palestinos, o governo americano diz que o dinheiro arrecadado será administrado por um banco internacional de desenvolvimento, para garantir uma melhor governança e evitar a corrupção.

O presidente palestino, Mahmud Abbas, rejeitou hoje a proposta americana e reiterou que, primeiramente, deve haver uma solução política para o conflito entre israelenses e palestinos. Em comunicado, estimou que "a situação econômica não deve ser discutida antes de haver uma discussão sobre a situação política".

Uma conselheira de Abbas, Hanan Ashraui, também rejeitou, no Twitter, os primeiros detalhes do plano de paz: "Primeiramente, é preciso levantar o bloqueio a Gaza, parar com o roubo israelense de nossa terra, recursos e fundos, devolver a nossa liberdade de movimento e o controle sobre nossas fronteiras, espaço aéreo, águas territoriais, etc. Depois, verão como construiremos uma economia vibrante e próspera, como um povo livre e soberano."

Além de conselheira de Abbas, Hanan é membro do comitê executivo da Organização para a Libertação da Palestina (OLP).

Os líderes palestinos desconfiam profundamente de Kushner - que tem laços de amizade com o premier de Israel, Benjamin Netanyahu - e de Trump, que tomou uma série de decisões para apoiar Israel, entre elas o reconhecimento da disputada cidade de Jerusalém como capital do Estado judaico.

Funcionários americanos deram a entender que a parte política do plano, que poderá ser conhecida em novembro, após a realização de eleições e a formação de um novo governo israelense, não irá mencionar a criação de um Estado palestino independente, uma meta de décadas da diplomacia americana.

O ministro israelense da Energia, Yuval Steinitz, membro do partido Likud, de Netanyahu, e considerado próximo do premier, expressou seu apoio ao plano de Kushner: "Sempre fomos a favor do desenvolvimento da economia palestina e do fim da crise humanitária", disse ao Canal 13, de Israel. "Todos no mundo querem ajudar os palestinos, exceto os próprios palestinos."

- Infraestrutura, turismo, governança -

Depois de mais de dois anos de trabalho no plano, Kushner apresentou um projeto bastante detalhado, em que chega a elogiar os sorvetes de Ramallah em uma seção dedicada à promoção do turismo.

Mas ainda não está claro quem pagará a fatura do plano, e se os árabes do Golfo, que voltaram a encontrar uma causa comum com Israel devido à hostilidade mútua em relação ao Irã, estão dispostos a contribuir antes de um acordo político.

O dispositivo econômico do plano visa também a ajudar a Faixa de Gaza, apesar do bloqueio israelense àquele território, superpovoado e empobrecido, devido ao seu controle pelo grupo militante Hamas.

O projeto inclui uma contribuição de 590 milhões de dólares para a principal central elétrica de Gaza, que, segundo a Casa Branca, criaria dezenas de milhares de empregos e proporcionaria energia confiável pela primeira vez em anos, e 500 milhões para a construção de uma universidade de classe mundial.

O documento também prevê um impulso ao desenvolvimento do turismo e cerca de 900 milhões de dólares em subsídios para melhorar estradas, terminais de carga e cruzamentos fronteiriços, a fim de vincular a economia palestina à de seus vizinhos árabes, mas não à de Israel, que buscou uma separação física dos territórios.