Plano republicano contra a covid ignora prioridades de Biden

Chris Stein
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O presidente dos EUA, Joe Biden

O presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, se reuniu nesta segunda-feira (1) com senadores republicanos, que propuseram uma alternativa ao ambicioso plano de combate à covid-19, mas ambas as partes não chegaram a um acordo.

Biden, que defende a restauração dos acordos bipartidários, propõe gastar US$ 1,9 trilhão para revitalizar a maior economia do mundo depois que a pandemia gerou uma onda colossal de demissões. Os republicanos, porém, dizem que não apoiarão esse volume de gastos.

Uma dezena de republicanos revelou, no domingo, medidas que consumiriam cerca de 600 bilhões de dólares, e Biden os recebeu hoje para discuti-las em um encontro classificado pela porta-voz do presidente, Jen Psaki, de "uma oportunidade para troca de ideias".

Nenhum acordo, porém, foi alcançado durante o encontro, que a senadora republicana Susan Collins descreveu de "franco e muito útil".

"Não diria que chegamos a um acordo sobre o pacote nesta noite. Ninguém esperava isso em uma reunião de duas horas", afirmou a jornalistas.

Os senadores divulgaram um comunicado na segunda-feira à noite no qual destacam que a reunião teve uma "troca de pontos de vista muito produtiva" e que as conversas continuarão com a administração Biden e outros congressistas "nos próximos dias" para alcançar um acordo sobre um pacote de ajuda bipartidária.

A Casa Branca destacou que o plano "foi cuidadosamente desenhado para responder aos desafios do momento, e que nenhuma mudança pode deixar sem cobertura as necessidades urgentes da nação."

Um esboço dessa proposta mostrava que ela exclui a ajuda aos governos estaduais e locais - que os democratas consideram central para qualquer pacote de ajuda.

Também reduz para US$ 1.000 os cheques de ajuda ao cidadão, que o governo Biden havia fixado em 1.400, e também torna as condições para sua obtenção mais restritivas.

Os líderes democratas responderam à proposta anunciando que iriam em frente com as medidas no Congresso para aprovar o plano do presidente sem votos republicanos, enquanto Biden usou o Twitter para reiterar sua posição.

"Estamos enfrentando uma crise econômica causada por uma crise de saúde pública e precisamos de ajuda urgente para lidar com ambas", tuitou o presidente.

"Meu American Rescue Plan (Plano de Resgate Americano) chega ao fundo dessas crises e colocará nosso país no caminho de se reconstruir melhor", acrescentou.

- Queda -

Como sintoma dos problemas de saúde econômica, o governo informou na semana passada que o número semanal de pedidos de seguro-desemprego foi de 1,3 milhão, um balanço enorme após dez meses de atividades econômicas restritas pela pandemia.

No ano passado, a economia americana sofreu sua pior contração desde 1946 ao registrar uma queda do PIB de 3,5%. Contudo, uma recuperação poderia chegar antes que o esperado.

O gabinete do Congresso encarregado do orçamento declarou nesta segunda-feira que espera que em meados do ano a economia volte a seus níveis anteriores à pandemia devido, "em grande parte, ao fato da queda não ter sido tão severa como esperava-se e porque a primeira etapa da recuperação chegou antes e mais forte do que o estimado".

- Novos estímulos -

Em 14 de janeiro, Biden anunciou seu plano contra a covid, afirmando ser essencial controlar a pandemia e colocar a economia em marcha novamente.

Esse pacote de ajuda incluiria cheques para os mais pobres, fundos para a reabertura das escolas, acelerar vacinações e testes, apoiar pequenas empresas e aumentar a ajuda alimentar para aqueles que dela precisam.

Para os republicanos, esse programa é muito caro em um momento em que a dívida atinge níveis históricos e quando o Congresso já garantiu US$ 4 trilhões contra a pandemia, incluindo US$ 900 milhões aprovados em dezembro.

Agora, querem que a ajuda se concentre diretamente nos mais necessitados.

A proposta dos republicanos aloca US$ 160 bilhões no combate à pandemia, incluindo US$ 20 bilhões para o programa nacional de vacinas, e US$ 50 bilhões para aumentar os testes.

Também propõe US$ 132 bilhões para estender os auxílios-desemprego suplementares até junho.

Já a iniciativa de Biden destina US$ 350 bilhões para governos estaduais e locais, algo que os republicanos ignoram.

Se os democratas do Senado se mantiverem unidos, 10 republicanos seriam suficientes para aprovar o plano de Biden pelo procedimento normal, que requer 60 votos dos 100.

Caso contrário, os democratas poderiam recorrer ao procedimento de "reconciliação", que permitiria a aprovação por maioria simples.

Nesta segunda-feira, a presidente da Câmara, Nancy Pelosi, e o líder da maioria no Senado, Chuck Schumer, disseram que haviam apresentado uma resolução orçamentária conjunta, um primeiro passo para a aprovação do plano nesse processo.

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