Planos de saúde para pets vêm crescendo. Saiba os cuidados a tomar

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RIO — Antes mesmo da lulu-da-pomerânia Luna Francisca Kardashian chegar no último dia 4, como presente para sua filha Elisa, Patricya Oliveira já tinha iniciado uma pesquisa sobre custos para garantir uma boa assistência médica à cachorrinha. Mãe de pet de primeira viagem, Patricya planeja contratar um plano de saúde para Luna, mas ainda avalia custos e benefícios.

— Como não tenho experiência, temo os custos de uma emergência e preciso de orientação. Já vi o valor de consultas em domicílio, vacinas, mensalidade de planos e até serviços oferecidos pela unidade pública de atendimento veterinário perto de casa — conta.

De fato, diz Diogo Alves, vice-presidente do Conselho Regional de Medicina Veterinária do Rio (CRMV-RJ), não há como precisar custo, por exemplo, de uma cirurgia, que pode ultrapassar os R$ 10 mil a depender de complexidade, materiais usados e estado do animal.

Ele pondera, porém, que antes da fase geriátrica — quando o recomendável é fazer exames e consultas a cada 6 meses — animais com vermífugo e vacina em dia têm 1,3 consulta veterinária por ano.

— Os planos de saúde para pet crescem exponencialmente. O consumidor deve ficar atento: empresas que prestam esse serviço devem estar registradas no CRMV de seu estado e ter um profissional médico veterinário como responsável técnico — ressalta.

Estima-se que entre cem mil e 130 mil animais domésticos estejam cobertos por planos de saúde no Brasil. A expectativa do mercado é que, dentro de quatro ou cinco anos, esse número passe de um milhão.

Ainda pouco diante dos quase 80 milhões de pets do país, somando cães e gatos, segundo dados da Associação Brasileira da Indústria de Produtos para Animais de Estimação (Abinpet).

O plano de saúde pet guarda similaridades com o de humanos, como rede credenciada, período de carência, diferenciação entre planos ambulatoriais, sem direito, a internação e os mais completos, com exames complexos, cirurgias e internação hospitalar. Alguns até têm diferenciação de preço por idade.

Precursora e líder nesse segmento, a Porto.pet oferece cobertura a 42 mil pets, em três tipos de plano, com custo de R$ 99 a R$ 400 por mês, oferecidos em Belo Horizonte, Rio, São Paulo (capital e interior), Curitiba, Porto Alegre e Brasília.

— A ambição é ter um plano nacional. Mas o número de usuários e a rede credenciada precisam andar lado a lado. Hoje há mais de 500 credenciados. Também estudamos ter um plano com pagamento de coparticipação, como nos planos tradicionais, para tornar a mensalidade mais acessível — antecipa Fabiano Lima, CEO da Porto.Pet.

Seguro com assistência pet

Fernanda Almeida, analista de segurança da informação, contratou um plano para o seu yorkshire Sigmund há cinco anos, mas acabou cancelando quando perdeu o emprego. Ano passado, fez um novo contrato, com a certeza de que economizará:

— Sigmund já tem 7 anos. Costumo fazer um check-up nele duas vezes por ano, cada um me custa entre R$ 1.500 e R$ 2 mil. Pago R$ 250 mensais pelo plano e fico tranquila sabendo que não terei surpresas se tiver uma internação e que poderei dar a ele a melhor assistência.

A Ciclic, insurtech da BB Seguros, acaba de lançar um plano de saúde para pets. A empresa já tinha um serviço para atendimento de animais domésticos dentro da apólice Saúde Protegida. Com o pagamento adicional de R$15 por pet, o segurado tinha direito a duas consultas por ano para seu cão ou gato, entre outros serviços.

Com cerca de 15% dos planos familiares com um ou mais pets cadastrados, a start-up lançou o Saúde Pet. Há três modalidades de plano, sendo a principal diferença é o limite de uso por ano.

Todos incluem serviços como transporte ao veterinário, atendimento ambulatorial, exames, cirurgias, internação, hospedagem em caso de doença do dono e assistência funeral.

Lançar um plano de saúde para animais domésticos também está no horizonte do banco Bradesco, que já tem uma série de serviços que podem ser agregados a suas apólices de seguros tradicionais. Na pandemia, a contratação desse tipo de cobertura, cujo valor médio é de R$ 450, deu um salto de 233%.

— O serviço de assistência está disponível na linha premium de cotação de seguro, oferece desde a orientação do pet mais adequado para o perfil da casa, transporte de emergência, aplicação de vacinas e serviço de apoio funeral. O mercado de plano de saúde é algo que estudamos — admite Rodrigo Herzoge, superintendente executivo de seguros dos ramos elementares do Bradesco.

O Itaú também oferece assistência pet para clientes Personnalité como opção no Seguro de Acidentes Pessoais, por R$ 60, que inclui, pro exemplo, implantação de microchip de identificação no animal.

A partir de R$ 14,90 por mês, correntistas e não clientes do banco podem contratar um pacote com suporte veterinário por telefone e consulta emergencial, sendo possível, por um valor adicional, contratar coberturas como vacinas e hospedagem pet.

Procon fiscaliza

Bruno Kelly, professor da Escola Nacional de Seguros, diz que o consumidor deve estar atento para a diferença entre os serviços de assistência e o plano de saúde.

— Há planos que incluem até fisioterapia e acupuntura. A assistência tem serviços mais restritos. Os preços também são bem diferentes. É preciso avaliar com cuidado para fazer a melhor escolha.

Cassio Coelho, presidente do Procon-RJ, ainda recomenda, no caso dos planos, verificar a rede credenciada, além do registro:

— Em fiscalização recente, encontramos diversas irregularidades, de falta de registro a medicamento vencido, locais sem higiene e profissionais não habilitados.

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