Plantas viram adubo para restinga e trincheira contra quadriciclos em Camboinhas

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NITERÓI — A leucena dá trabalho aos ambientalistas por ser uma espécie invasora muito comum em áreas de vegetação que precisam ser preservadas. Em Camboinhas, o cacto do gênero Opuntia, também invasor, cresce há anos em profusão. Mas técnicos do projeto de restauração ecológica das restingas da Região Oceânica, financiado pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e implementado pela prefeitura, encontraram novas soluções para esse tipo de vegetação: a leucena virou adubo, e a Opuntia está sendo usada para fazer trincheiras contra a invasão de quadriciclos.

Antes de iniciar o plantio de novas mudas na área de restinga entre o mar e a Lagoa de Itaipu, técnicos da Secretaria municipal de Meio Ambiente, Recursos Hídricos e Sustentabilidade (SMARHS) tiveram que retirar cerca de 20 toneladas de leucena, num trabalho de limpeza que durou semanas. Em vez de serem jogadas no lixo, as plantas estão sendo trituradas e transformadas em adubo, usado no plantio das mudas de vegetação nativa utilizadas na restauração ecológica.

— Isso não só reduz a necessidade de adubação como também os custos do projeto. E aumenta o sucesso de pega das mudas plantadas. O experimento terá continuidade e tem se mostrado promissor — explica o subsecretário de Sustentabilidade da pasta, Allan Cruz, que coordena o projeto.

A iniciativa tem investimento de R$ 2,9 milhões, e o objetivo de restaurar 203,1 hectares da Mata Atlântica e recuperar a vegetação nas ilhas Pai, Mãe, Menina e do Veado, além do manguezal no entorno das lagoas, das restingas das praias e de parte da vegetação do Morro da Viração. A restinga de Camboinhas foi escolhida para a retomada do projeto, interrompido no ano passado. Desde março, 12 voluntários trabalham no local. Até agora, cerca de 400 mudas de espécies de restinga foram plantadas. Também já foram instalados mourões para demarcar a área a ser restaurada.

Os cactos invasores estão sendo manejados e usados como barreira física para fechar a área da restinga e proteger a vegetação dos quadriciclos, vistos com cada vez mais frequência nas areias da praia. Posteriormente, o cacto também será usado para compostagem e manutenção dos nutrientes da restinga.

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