Playoffs da NBA: Chris Paul, Booker e Ayton, do finalista Phoenix Suns, vivem histórias de reconhecimento individual; entenda

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Primeiro finalista definido da temporada na NBA, o Phoenix Suns de Chris Paul, Devin Booker e DeAndre Ayton deu à franquia do Arizona, na última quarta-feira, seu terceiro título de Conferência. A vitória por 4 a 2 na série sobre o Los Angeles Clippers rende ao Suns não apenas a oportunidade de conquistar o primeiro título da liga em sua história, como também garante ao trio uma marca em uma temporada de reconhecimento pessoal: por caminhos e em status diferentes na carreira, os pilares da equipe de Monty Williams superaram críticas e quebraram obstáculos impostos desde suas chegadas à liga.

O adversário dos Suns sai do duelo entre Atlanta Hawks e Milwaukee Bucks, que fazem o jogo 6 neste sábadoe, às 21h30 (com transmissão de Band e SporTV). Os Bucks lideram a série por 3 a 2.

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No caso de Chris Paul, 36 anos, sua chegada à primeira final na carreira é a cereja do bolo da trajetória de um dos melhores armadores que já passou pela liga. Líder em assistências na liga em quatro temporadas, o camisa 3 esteve perto da glória em algumas oportunidades, mas sofreu com lesões ou com equipes que não corresponderam nos momentos decisivos.

O momento em que esteve mais perto de uma decisão foi na temporada 2017/18, com o Houston Rockets. Com grandes atuações, o armador levava a franquia texana à final da Conferência Oeste, a primeira em sua carreira. Em série empatada contra o Golden State Warriors, Paul sofreu uma lesão muscular na coxa no jogo 5, vencido pelos Rockets. Sem o armador, a franquia levou a virada dos Warriors.

— (Vencer a Conferência e ir à final) é bom para caramba. Bom demais. Teve muito, muito trabalho. Isso é bom demais. Eu não sei, cara, são muitas emoções — disse um eufórico Chris Paul após a vitória que decidiu a série contra os Clippers, na última quarta-feira.

O "Point God", trocadilho envolvendo a palavra "Deus" e a posição "point guard" (armador, em inglês), por pouco não viveu outro capítulo da sua tradicional má sorte em momentos decisivos. Ainda no início da série contra os Clippers, foi isolado após testar positivo para a Covid-19. Mas teve tempo para retornar e fechá-la a série com uma atuação de gala: 41 pontos no sexto e último jogo.

Booker, o 'desrespeitado'

Doze anos mais novo que Chris Paul, o ala-armador Devin Booker chega à apoteose (até aqui) de uma carreira meteórica. Draftado em 2015, aos 18 anos, o jogador cresceu como um raríssimo talento solitário em um Suns sem grandes pretensões na liga. Aos 20 anos, marcava 70 pontos em uma única partida, contra o Boston Celtics, em 2017, o mais jovem a atingir o feito.

Filho de Melvin Booker, ex-jogador da NBA e inspirado em Kobe Bryant, ídolo que marcou em sua pele após seu trágico falecimento, Booker acumula, desde 2017, quatro temporadas seguidas com médias de mais de 20 pontos por jogo, sendo as três últimas com médias acima de 25.

O desempenho começou a chamar ainda mais atenção justamente quando foi ignorado. Mesmo com os números e o bom desempenho em quadra, o armador passou anos sem ser chamado ao All-Star Game, o jogo das estrelas da NBA. Foi incluído pela primeira vez em 2020, substituindo o lesionado Damian Lillard.

Participar da partida festiva pode garantir melhorias em contratos e, acima de tudo, garante aos atletas o status de "all-star", o glamour e o reconhecimento como um dos que já esteve entre os melhores da equipe naquele momento. Uma nova ausência em 2021 chamou atenção do astro LeBron James.

— Devin Booker é o jogador mais desrespeitado na nossa liga! — exclamou LeBron, no Twitter, em fevereiro, após o jogador do Suns ficar de fora novamente da votação inicial da partida, que ocorreu em março. Os técnicos da liga escolheram os reservas deste ano.

Dias mais tarde, Booker seria selecionado no lugar de Anthony Davis, lesionado. O armador acabou se machucando posteriormente e não conseguiu disputar a partida. Ainda assim, o desempenho nesta temporada (27 pontos, 4,8 assistências e 6,4 rebotes por partida, incluindo um jogo de 47 pontos contra os Lakers) não deve deixar dúvidas: o finalista Devin Booker é, de fato, um all-star.

Ayton, o número 1

Ser a primeira escolha de um Draft da NBA tem seu lado brilhante, mas também pode virar um fardo, uma responsabilidade exacerbada para um jogador jovem. Há um termo específico para aqueles que falham em suas carreiras, os "busts" (fracassos). O pivô DeAndre Ayton, primeira escolha de um Draft que tinha Luka Doncic e Tra Young, em 2018, já chegou a ser cogitado como um "bust" e era visto com desconfiança por não entregar o que foi esperado dada sua posição.

O jovem de 22 anos e 2,11m entrou na liga em um momento em que a posição de pivô "puro" anda em baixa, e o desempenho em suas primeiras temporadas, apesar de bom em números (médias de 16.3 pontos na primeira temporada e 18.2 pontos e 11,5 rebotes na segunda, ambas de duplo-duplo), não lhe rendiam tantos créditos pela pouca influência em quadra. Sempre houve a impressão que o atleticismo, o poder físico e a movimentação do jogador poderiam render muito mais, como o próprio técnico do Suns, Monty Williams, denotou.

Em 2021, as médias de Ayton baixaram, mas o seu jogo se elevou. O pivô se transformou em um monstro nos dois lados da quadra, um pilar de uma equipe com vocação ofensiva, mas que por vezes fica exposta embaixo da cesta. Com Ayton, o Suns ganha versatilidade e conseguiu bater de frente com equipes com garrafões poderosos, como os Lakers e o Denver Nuggets, do MVP — e pivô — Nikola Jokic.

Nos playoffs, Ayton teve seis partidas com pelo menos 15 rebotes, número impressionante para uma pós-temporada. No jogo 2 contra os Clippers, teve a melhor performance individual: 24 pontos, 14 rebotes e uma assistência.

— Não consigo falar o suficiente sobre Ayton e o que ele faz por nosso time. Faz todas as coisas que não aparecem nas estatísticas. Os jump shots que eu acertei no fim do jogo não aconteceriam sem ele. Screens, mudar o ritmo, pegar rebotes, eles faz tudo isso. É um cara muito solidário. Nós contamos muito com ele, e ele está mostrando porque é quem é — elogiou Chris Paul após o jogo 3 contra os Nuggets. Ninguém melhor para ratificar o número 1.

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