PM alvo de operação contra clã Jerominho é conduzido para PF após ser encontrado com dinheiro, pistola e munição irregulares

Rayanderson Guerra
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Foto: Rayanderson Guerra / Agência O Globo
Foto: Rayanderson Guerra / Agência O Globo

Um policial militar do 40º BPM (Campo Grande), alvo da Operação Sólon da Polícia Federal que apura a prática de lavagem de dinheiro conexos a crimes eleitorais, foi encontrado em casa na manhã desta quinta-feira com dinheiro em espécie, uma pistola e munição irregulares durante o cumprimento de mandado de busca e apreensão. Entre os investigados estão os irmãos José Guimarães Natalino e Jerônimo Guimarães Filho, apontados judicialmente como fundadores da Liga da Justiça, uma das maiores milícias do estado.

A PF cumpriu 12 mandados em residências, comitês de campanhas e empresas ligadas ligados a dez investigados. A candidata a vice-prefeita pelo Partido da Mulher Brasileira (PMB), Jéssica Natalino, filha de José Guimarães, também é investigada, assim como a ex-vereadora Carminha Jerominho, filha de Jerônimo Guimarães e candidata à Câmara dos Vereadores pela mesma sigla. Jéssica integra a chapa liderada pela candidata a prefeita Suêd Haidar.

Segundo a PF, os irmãos Jerominho e Natalino estariam se preparando para retormar o influência política, com cargos no legislativo e no executivo. Nas eleições de 2020 eles pretendiam retomar o poder que possuíam na Zona Oeste do Município.

A PF informou, após a operação, que apreendeu celulares, materiais de campanha e pacotes de dinheiro, num total de cerca de R$ 350 mil. Na casa de um dos alvos, de acordo com a corporação, havia R$ 180 mil. Na residência de outro investigado, R$ 140 mil. Houve ainda a apreensão de US$ 2,5 mil. Os mandados de busca e apreensão miravam pessoas físicas, um comitê de campanha e estabelecimentos comerciais, como uma drogaria e um restaurante — entre eles, o Bar Farofão Empório e Confeitaria e uma loja de conveniência em Campo Grande, na Zona Oeste. Os mandados foram expedidos pela 16ª Zona Eleitoral, especializada em crimes praticados por organização criminosa, lavagem de dinheiro e outros crimes eleitorais.

Durante as investigações, foram identificadas movimentações financeiras atípicas na ordem de R$ 1 milhão em empresas ligadas aos investigados a partir da análise dos Relatórios de Inteligência Financeira (Rifs). De acordo com a PF, esses recursos possivelmente seriam destinados para gastos de campanhas eleitorais. O superintendente regional da PF no Rio, Tácio Muzzi, afirmou que a investigação começou em junho deste ano e declarou que a corporação agiu de forma proativa para evitar currais eleitorais neste eleição. A PF sustenta que o grupo investigado tem ligações históricas com a milícia na Zona Oeste e o objetivo de retomar o poderio político na região por meio da candidatura de parentes.

De acordo com a PF, os alvos utilizavam as redes sociais para escolher os candidatos que iriam concorrer nas eleições. Para a corporação, enquetes foram realizadas entre os membros do grupo, que votavam em seus preferidos e ainda financiavam a campanha eleitoral dos escolhidos, incluindo a prática de disseminação de informações falsas sobre as disputas eleitorais.