PM atira em jovem negro e nega socorro, diz testemunha: “Iam me dar tiro nas costas”

PM atira em jovem negro no RJ: Marlon Cândido trabalha como entregador de água - Foto: Arquivo pessoal
PM atira em jovem negro no RJ: Marlon Cândido trabalha como entregador de água - Foto: Arquivo pessoal
  • PM impediu socorro de jovem de 23 anos baleado, diz testemunha;

  • Caso aconteceu na comunidade CCPL, na Zona Norte do Rio de Janeiro;

  • Homem identificado como Marlon Cândido está sob a custódia da PM.

A Polícia Militar impediu o socorro de um jovem de 23 anos baleado durante uma ação policial na comunidade CCPL, em Manguinhos, na Zona Norte do Rio de Janeiro. O relato foi feito por uma testemunha que acompanhou a operação. A vítima tem quadro de saúde estável.

Em entrevista ao G1, a testemunha contou que o baleado, identificado como Marlon Anderson Cândido, é seu amigo de infância e vizinho. Ele estaria saindo de casa para ir trabalhar quando se tornou alvo dos policiais.

"Eles nem prestaram socorro, nem desceram do caveirão [carro usado pela PM do RJ]. Ainda falaram que se eu ajudasse ele, eles iam me dar tiro pelas costas. Eles falaram que iam atirar nas minhas costas! Eu não podia abaixar, não podia fazer nada senão eles iam atirar em mim", conta.

De acordo com o vizinho, os policiais “passaram na hora e atiraram” em Marlon. “Ele não estava com arma, não estava com nada. [...] Ele não é bandido”, afirmou. A testemunha definiu a situação como “desesperadora”.

Marlon foi levado para o Hospital Estadual Getúlio Vargas, onde passou por uma cirurgia para a retirada da bala.

O que diz a polícia

De acordo com a PM, agentes do 22º BPM (Benfica) foram atacados durante um patrulhamento na Avenida Dom Hélder Câmara. Houve um confronto e um dos suspeitos ficou ferido na troca de tiros.

A corporação informou, posteriormente, que um homem baleado deu entrada no Hospital Getúlio Vargas, onde Marlon foi internado.

A PM também informou que, “após conversas com familiares e contato visual do mesmo”, a vítima foi identificada como a suspeita envolvida no ataque aos policiais. O caso foi levado para a 21ª DP (Bonsucesso), onde foi determinada a prisão sob custódia de Marlon.

"Eles acham que todo mundo que mora na comunidade é bandido, mas não é. Existe o bem e existe o mal. Ele é trabalhador, tá preso injustamente. É menino de família. Eles ficaram gritando 'é bandido, é bandido'. A gente gritou que era morador, eles viram que balearam trabalhador e foram embora. Eu fiquei desesperada, minha pressão foi a 19. Ele não merecia passar por isso", completou a testemunha.

Quando a família soube que Marlon estava sob a custódia da PM, foi para a frente do hospital protestar. Eles só foram informações sobre a situação quando tentaram visitar o homem após a cirurgia. Os familiares negam que o jovem esteja envolvido com a criminalidade e afirmam que ele é entregador de água e trabalha em um depósito dentro da comunidade.

Os policiais apreenderam uma pistola e drogas na ocorrência.