PM de São Paulo é investigado após chamar bolsonaristas de “cornos”

·2 minuto de leitura
  • Renato Kenjiro Tamaki chamou os seguidores de Jair Bolsonaro de "cornos"

  • Ele publicou um vídeo com a declaração na véspera dos atos de 7 de setembro

  • O rapaz foi transferido duas vezes pela PM, que abriu sindicância para investigá-lo

A Polícia Militar de São Paulo abriu sindicância para investigar o sargento Renato Kenjiro Tamaki. O procedimento foi instaurado após o rapaz de 41 anos chamar os seguidores do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) de “cornos”.

A declaração de Tamaki aconteceu em vídeo publicado por ele próprio no dia 6 de setembro, véspera das manifestações pró-Bolsonaro convocadas pelo próprio presidente em todo o país.

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“No dia 7 de setembro, o Brasil vai entrar no Guiness. A maior concentração de corno por metro quadrado do planeta Terra. Jamais visto antes. E é fácil identificar essa ‘cornaiada’: eles vão estar tudo lá gritando: ‘Mito, mito!’”, declarou.

Tamaki foi candidato a vereador em Osasco no ano passado pelo Progressistas, mas recebeu apenas 1.465 votos e não se elegeu. O PM também fez questão de criticar o comportamento político dos seguidores de Bolsonaro.

PM publicou vídeo na véspera dos atos de 7 de setembro - Foto: Reprodução
PM publicou vídeo na véspera dos atos de 7 de setembro - Foto: Reprodução

“É a maior concentração de corno conformado. Conformado com o preço da gasolina, com o preço das coisas no mercado, com o preço da conta de luz. São tudo ‘conformadão’ lá. O ‘cornão’ tá tomando no lombo e gritando ‘Mito’. Não faça parte desse Guiness aí não. É vergonhoso, hein cara. Celebre o Dia da Independência de seu país, não a celebração da ‘cornaiada’”, disse.

As declarações de Tamaki aconteceram três dias depois de vir à tona a notícia de que a ex-esposa de Bolsonaro, Ana Cristina Siqueira Valle, traiu o político quando eles eram casados. Ela teria mantido um caso com um segurança particular da família.

Sargento foi transferido duas vezes

Após a divulgação do vídeo, a PM transferiu o sargento de Barueri para Carapicuíba. Depois, levou-o para Caucaia do Alto, distrito de Cotia, a mais de 40 km de onde ele vive. Em nota, a corporação confirmou que instaurou inquérito para investigar as declarações de Tamaki.

“Sobre o caso do Sgt PM Renato Kenjiro Tamaki, da mesma forma, o graduado foi transferido e, para devida apuração, foi instaurada Sindicância que, ao final, poderá ensejar punição administrativa de repreensão à permanência disciplinar”.

Sargento recebeu ameaças e evita sair de casa

Em entrevista à Folha de S.Paulo, Tamaki revelou ter votado em Bolsonaro em 2018, mas também se disse decepcionado com a gestão do presidente. Ele disse ter sofrido ameaças após a publicação do vídeo. Por isso, deixou as redes sociais e tem evitado sair de casa.

“Não esperava nenhum tipo de posicionamento por parte da PM por conta de expor a minha ideia. Afinal de contas, estava na minha casa, na minha folga e fiz uma crítica aos manifestantes, se é que posso chamar de manifestantes, que iriam para uma pauta antidemocrática. Não tinha noção da proporção que isso iria tomar”, comentou.

Tamaki afirmou que as transferências feitas pela PM mudaram completamente sua rotina e que, por isso, decidiu pedir afastamento de um ano da corporação enquanto se defende.

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