PM diz que 'não há indicativos' de que Ágatha tenha sido morta por policial

Foto: AP/Leo Correa

RESUMO DA NOTÍCIA

  • Ágatha Félix, de 8 anos, morreu com um tiro de fuzil pelas costas

  • Moradores afirmam que tiros partiram de PMs; polícia nega

Criticada, a Polícia Militar do Rio de Janeiro veio a público se defender no caso da morte de Ágatha Félix, de 8 anos, atingida nas costas por um tiro de fuzil na noite de sexta-feira (20) no Complexo do Alemão, zona norte da capital fluminense.

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Segundo parentes e pessoas próximas do fato, o tiro que matou a menina teria partido da polícia, mas, em entrevista à TV Globo, o porta-voz da PM do Rio, Mauro Fliess, disse que “não há indicativo” de que um policial tenha matado Ágatha.

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“Não há nenhum indicativo, nesse momento, de uma participação do policial militar no triste episódio que vitimou a pequena Ágatha”, disse o porta-voz, acrescentando que nenhum policial envolvido no caso será afastado.

“Somente uma investigação transparente vai poder mostrar as reais circunstâncias em que aconteceu esse fato. A Polícia Militar reforça a versão apresentada pelos policiais militares, de que foram atacados de forma simultânea por marginais daquela localidade", disse Fliess.

Sobre as críticas recebidas pelo recrudescimento das ações policias no Rio desde o início do ano, em que 1.249 pessoas foram mortas, segundo estatísticas oficiais, a PM afirmou que não pretende retroceder.

“Não iremos recuar. O governo do estado está no caminho certo, estamos reduzindo o número de homicídios dolosos e lamentamos profundamente que pessoas inocentes como a Ágatha e como outras que já aconteceram no estado do Rio de Janeiro perderam suas vidas”, disse Fliess.

A Polícia Civil afirmou que fará uma reprodução simulada do assassinato de Ágatha, mas não informou quando.

O caso

Ágatha Vitória Sales estava dentro de uma Kombi quando foi atingida por um tiro de fuzil nas costas, na região da Fazendinha, no Complexo do Alemão, zona norte da capital fluminense, na noite de sexta-feira (20). Ela chegou a ser levada ao Hospital Estadual Getúlio Vargas, na Penha, onde morreu.

O autor do disparo, de acordo com moradores do bairro, seria um dos policiais militares da Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) da comunidade. Eles teriam suspeitado de um motociclista que passava no local e atirado.

A PM do Rio informou, por meio de nota, que a Coordenadoria de Polícia Pacificadora vai abrir um procedimento apuratório para verificar as circunstâncias do fato. Mas sugeriu que um confronto entre policiais e criminosos teria levado à morte de Ágatha.

“Equipes policiais da UPP Fazendinha [...] foram atacadas de várias localidades da comunidade de forma simultânea. Os policiais revidaram”, disse a Secretaria de Estado de Polícia Militar, por meio de sua assessoria de imprensa.

“Após o confronto, não foi encontrado feridos na varredura do local. Na sequência, os policias foram informados por populares que um morador teria sido ferido na localidade”, continua a PM, em nota.

O tio de Ágatha, assim como outros familiares e testemunhas, refutam a versão da PM. “Não teve tiroteio, o único tiro que teve foi o deles, fatal, foi o que tirou a vida da nossa sobrinha", disse Elias Cesar, 36, no Instituto Médico Legal (IML), no Rio de Janeiro, na manhã de sábado (21).