PM faz blitz sanitária para monitorar fluxo de pessoas em Santos, no litoral de SP

ALFREDO HENRIQUE
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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A Polícia Militar fez uma barreira sanitária em Santos (72 km de São Paulo), na avenida dos Bancários, por volta das 12h desta terça-feira (23). Em cerca de dez minutos, a corporação abordou três motociclistas que faziam entregas, dois motoristas de aplicativo e o carro da reportagem do Agora. O objetivo das barreiras é monitorar o fluxo de pessoas que trafegam pelas ruas de Santos, que nesta terça iniciou o lockdown para conter o avanço do novo coronavírus na cidade. Segundo o decreto municipal, só podem circular pelas ruas pessoas que, comprovadamente, estejam trabalhando, em serviços essenciais, além de se deslocar de ou para mercados, hospitais e farmácias. Outros oito municípios da Baixada Santista também aderiram às restrições, que vão até 4 de abril. "Notei que, em relação à semana passada, o movimento nas ruas da cidade caiu, visualmente, uns 40%", afirmou o cabo Thiago de França, que comandava a operação. Ele acrescentou que, caso identificarem alguém descomprimido ao lockdown, a GCM é acionada para aplicar eventuais medidas punitivas. As barreiras sanitárias ocorrem em toda a cidade, acrescentou o policial, em pontos e horários aleatórios, "para garantir a eficiência das fiscalizações." Mercado de Peixe No Mercado do Peixe de Santos, na Ponta da Praia, somente as garças eram "atendidas" por comerciantes na porta do imóvel, onde as aves, símbolo do local, ganham porções de manjubinhas. O atendimento presencial está proibido por causa do lockdown decretado na cidade. Os comerciantes das cerca de 20 barracas do mercado só podem vender no sistema delivery, ao menos até o próximo dia 4. O local funciona de terça a sábado, das 7h às 18h e, aos domingos, das 7h às 14h. "A gente acorda cedo para trabalhar, todos os dias, e não madruga porque está de ressaca por ter bebido todas" afirmou a vendedora Janaína Oliveira Barbosa, 40 anos, se referindo aos frequentadores de festas clandestinas. Ela e a gerente Dora Brandão, 20, criticam as medidas mais rígidas com relação às atividades no mercado. "Não podemos nem ir entregar uma mercadoria no estacionamento que corremos o risco de sermos multadas", afirmou a gerente. Ela acrescentou que, desde a semana passada, quando lhe foi divulgado o lockdown, ela entrou em contato com clientes, via telefone e mensagens, para reforçar que as vendas permaneceriam, mas somente no esquema de entrega. "Hoje [terça] vendemos menos de 20% do habitual. Isso vai fazer a gente pedir menos pescado para o fornecedor e, como consequência, os preços podem aumentar. Todo mundo vai sair perdendo com isso", afirmou Dora. Até mesmo as garças, que há gerações ganham peixe de graça na porta do mercado, podem ser prejudicadas durante o lockdown. "Tem cliente que vem aqui e compra até uma bandeja fechada de peixe só para dar a elas [aves]. Agora que ninguém pode entrar no mercado, as garças só vão ganhar peixe da gente, mas garanto que vão ganhar todo dia", afirmou Janaína.