PM foi morto durante confronto entre milícias rivais na Baixada Fluminense

Rafael Soares

Uma investigação interna da PM aponta que o soldado Luiz Carlos de Almeida da Silva Junior, morto a tiros no último dia 10, foi baleado num tiroteio entre milícias rivais em Belford Roxo, na Baixada Fluminense. O agente integrava o Grupamento de Ações Táticas (GAT) — núcleo responsável pelas operações — do batalhão do município, o 39º BPM. Segundo o relatório final da investigação, publicado num boletim interno da unidade, o soldado integrava um bando armado que preparava uma emboscada contra o chefe da quadrilha rival quando foi morto.

"Milicianos do barro Babi, na companhia do soldado Silva Junior, encontravam-se armados num veículo Chevrolet Onix Hatch de cor vinho e teriam se dirigido ao bairro Santa Maria para executar o miliciano vulgo Macalé, que estava saindo de uma festa", conclui o relatório da averiguação sumária, aberta com o objetivo de apurar se a morte do PM tinha ocorrido por ato de serviço. No local onde aconteceu o tiroteio, o carro onde estavam Macalé e seus comparsas, um Ford Ka prateado, foi interceptado pelo bando rival e houve confronto.

Foram ouvidos ao longo da investigação parentes do PM, testemunhas e até um envolvido no confronto: um comparsa de Macalé, também baleado no tiroteio, foi encontrado após dar entrada no Hospital estadual Adão Pereira Nunes, em Duque de Caxias. De acordo com os depoimentos, os milicianos que estavam com o PM ainda tentaram socorrê-lo após ele ter sido baleado.

O tiroteio aconteceu na Rua Luís Delfino, no bairro Santa Maria. Após o confronto, os milicianos do bairro Babi abandonaram o carro que usaram na emboscada no local e roubaram outro veículo para fugir. "A vítima do roubo relatou que indivíduos armados o renderam e determinaram que entregasse o veículo, tendo como perceber que, durante a ação, os meliantes estavam próximos a um veículo de cor vinho e que havia um homem caído ao solo", aponta o relatório da investigação.

Os paramilitares, então, levaram o PM ferido no carro roubado e, mais adiante, abordaram outro motorista, que foi obrigado a socorrer Silva Junior. A testemunha relatou, em depoimento, que "foi abordada por homens armados na Avenida Atlântica, que a ameaçaram determinando que prestasse socorro" ao PM. Em seguida, os milicianos fugiram. A investigação também concluiu que Macalé, o alvo do ataque, tambem foi baleado na ocasião. Entretanto, o miliciano não foi localizado pela polícia.

Em depoimento, a viúva do policial, que também é policial militar, alegou que o soldado estava de folga no dia em que foi baleado e saiu a pé, armado, da casa de sua sogra, "dizendo que iria comprar um lanche". A mulher também alegou que  "o criminoso de vulgo Macalé, chefe da milícia do bairro Santa Maria, seria o responsável pela morte" de Silva Junior, que tinha 36 anos e estava na PM desde 2014.

A averiguação sumária conclui que "há indícios do envolvimento do soldado com milicianos do bairro Babi na suposta empreitada criminosa de execução do miliciano de vulgo Macalé" e que o homicídio ocorreu "sem ato ou acidente de serviço". Um Inquérito Policial Militar (IPM) foi aberto para investigar a participação do agente na milícia e aprofundar as investigações sobre o confronto armado que terminou com a morte do soldado.