Vídeo: PM-GO prende professor que se recusou a tirar adesivo "Bolsonaro Genocida' de carro

·2 minuto de leitura
  • Vídeo de momentos antes da prisão começou a viralizar nas redes sociais

  • Policiais apresentaram como razão de sua ação a LSN (Lei de Segurança Nacional), editada em 1983, no final da ditadura militar (1964-1985)

  • Na delegacia, a polícia teria se recusado a lavrar o flagrante

Policiais militares de Goiás prenderam nesta segunda-feira (31) um professor após exigirem que ele retirasse do carro um adesivo em que chamava o presidente Jair Bolsonaro de genocida.

Apesar de no último sábado (29) milhares de pessoas terem ido às ruas de diversas cidades do país protestar contra o presidente, e em inúmeras ocasiões portarem cartazes e faixas o chamando de genocida, os policiais apresentaram como razão de sua ação a LSN (Lei de Segurança Nacional), editada em 1983, no final da ditadura militar (1964-1985).

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A lei, cuja revogação já foi aprovada pela Câmara dos Deputados, tem sido usada pelo governo Bolsonaro para intimidar críticos de sua gestão.

O argumento principal é que um de seus artigos estabelece como crime "caluniar ou difamar o 

Goiás é governado por Ronaldo Caiado (DEM), um dos aliados de Bolsonaro. Nem a PM nem o governo do estado se manifestaram até a publicação deste texto.

No vídeo ao qual a reportagem teve acesso, o professor Arquidones Bites, que é secretário de movimentos populares do PT, é abordado em Trindade (a cerca de 16 km de Goiânia) por dois policiais que exigem que ele tire do capô do carro um adesivo com a inscrição "Fora Bolsonaro genocida".

Em tom exaltado, o professor se nega a cumprir a ordem. O policial lê no seu celular trecho da LSN afirmando que o professor está, com base nela, cometendo um crime ao atribuir fato criminoso a Bolsonaro.

Arquidones repete, sempre em tom indignado, que não só ele, mas vários parlamentares, autoridades e outras pessoas, inclusive da CPI da Covid no Senado, chamam Bolsonaro de genocida.

Polícia teria se recusado a registrar flagrante

No último dia 29, durante protestos contra seu governo, Bolsonaro foi chamado novamente de
No último dia 29, durante protestos contra seu governo, Bolsonaro foi chamado novamente de "genocida" por opositores da sua gestão - Foto: Cristina Szucinski/Anadolu Agency via Getty Images

O professor acabou sendo preso e levado para a delegacia da Polícia Civil de Trindade. De acordo com o PT, a polícia se recusou a lavrar o flagrante.

Arquidones, então, foi levado para a Polícia Federal em Goiânia. Ao chegar à PF, ele afirmou ter sido agredido pelos policiais militares. Ele continuava detido até às 20h desta segunda.

Nas redes sociais, o PT nacional exigiu a soltura do professor. "Chega de censura! Bolsonaro genocida, sim! #ForaBolsonaro."

No último dia 27, a instalação de nove outdoors críticos à gestão de Bolsonaro em Sinop (MT), pagos por um grupo de entidades locais, foi impedida por ação de apoiadores do governo.

As peças, com três mensagens diferentes, começaram a ser colocadas na parte da manhã, mas a instalação precisou ser interrompida após a intimidação de bolsonaristas.

***Por Ranier Bragon, da Folhapress

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