PM identifica e abre processo contra agentes que fizeram escolta ilegal de Gabriel Monteiro

Rodrigo de Souza
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A Polícia Militar já identificou os agentes que fizeram escolta ilegal do candidato a vereador Gabriel Monteiro (PSD). O inquérito foi aberto após reportagem do jornal “O Dia” baseada em imagens de campanha feitas na quarta-feira em Campo Grande, na Zona Oeste da cidade, que mostram o ex-PM cercado por homens armados com espingardas calibre 12 e com distintivos pendurados no pescoço. Ao EXTRA, a Polícia Militar informou que os seguranças de Monteiro estão vinculados à corporação, mas não atuavam em nome dela quando foram fotografados sem farda e em posse ilegal de arma. Eles responderão a processo interno pelas violações do código da corporação.

Questionado, Gabriel Monteiro enviou à reportagem imagens de um documento da corporação, uma Ordem de Policiamento, que comprovaria seu direito à escolta policial, garantido por um programa de proteção a pessoas ameaçadas.

Ele repetiu a alegação feita em um post no Instagram, após a publicação da reportagem. “Senhor amado me dê paciência. Não É possível!!!! ESSES POLICIAIS SÃO DA PRÓPRIA PM FAZENDO MINHA SEGURANÇA OFICIAL. Eu estou no programa de pessoas ameaçadas. Pela matéria parece que eu estou errado. Cara, ISSO desanima muito por saber que muitas pessoas caem nessas mentiras”, escreveu o ex-PM.

O EXTRA enviou as imagens à assessoria da PM, que confirmou a veracidade do documento, mas explicou que ele não se refere à escolta observada nas imagens de campanha do candidato. Segundo a PM, o documento garante a Monteiro a companhia de uma escolta restrita ao domicílio eleitoral do candidato, no bairro de Copacabana, realizada por uma viatura oficial e por agentes fardados.

A proteção é válida apenas para o período eleitoral e foi concedida a Monteiro depois que ele comunicou à polícia ter recebido ameaças de morte. A PM esclareceu ainda que as armas carregadas pelos seguranças de Gabriel Monteiro, do tipo espingarda calibre 12, podem ser compradas por policiais militares, mas não portadas. Eles também foram fotografados fora do domicílio eleitoral do candidato, sem farda e em posse ilegal de arma.

Famoso pelas acusações de corrupção que fez à PM, da qual foi membro por quatro anos, o youtuber Gabriel Monteiro (PSD) saiu da corporação em 2020 para concorrer nas eleições municipais. Embora Monteiro ainda se defina como policial militar, a lei determina que agentes com menos de dez anos de serviço não têm estabilidade e são desligados automaticamente da corporação quando optam por concorrer a cargos eletivos.