PM impede protesto contra a tarifa em SP e grupo anda só 500 m

ARTUR RODRIGUES

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A Polícia Militar impediu nesta quinta-feira (16) o prosseguimento de um protesto contra a tarifa do transporte público realizado pelo Movimento Passe Livre em São Paulo.

Conforme a Folha de S.Paulo mostrou nesta quinta, o governo João Doria (PSDB) tem usado uma série de táticas para desarticular protestos.

A PM sufocou a manifestação com bombas de gás, detenções e bloqueios. Os manifestantes, que queriam ir do Teatro Municipal até avenida Paulista, só conseguiram chegar até a Praça da República, a cerca de 500 metros de lá.

Policiais disseram aos manifestantes que, devido às chuvas, não autorizaram o trajeto proposto.

Como o grupo de manifestantes era relativamente pequeno, os policiais não tiveram dificuldades para bloquear seu avanço. Os agentes usadas bombas de gás, que também causaram desconforto a pessoas que saíam do trabalho e iam para casa.

Os policiais detiveram manifestantes que tentavam avançar. Ao menos oito pessoas foram levadas para distrito policiais.

Ao menos um fotojornalista relatou ter sido agredido com três chutes por policiais. Manifestantes também foram atingidos por golpes de cassetete.

Às 19h50, um grupo pequeno ainda cantava palavras de ordem na avenida Ipiranga, que ficou bloqueada. Entradas do metrô República também foram fechadas para impedir que o grupo entrasse e pulasse catracas.

No fim do protesto, manifestantes viraram lixeiras e atiraram pedras nos policiais. Os policiais reagiram usando bombas de gás. Os manifestantes fugiram pelas ruas do centro antigo, e foram perseguido. Por alguns minutos, interromperam o happy hour em barzinhos que estavam lotados por volta das 20h.

TÁTICA

O governo Doria tem usado medidas policiais e judiciais para sufocar e desarticular manifestações e evitar um novo junho de 2013 em sua gestão no estado de São Paulo.

O tucano acalenta o projeto de concorrer à Presidência da República em 2022; para isso, sabe que não pode ver sua popularidade avariada como a dos políticos que viraram alvos de manifestações há pouco mais de seis anos.

A polícia tem detido manifestantes em massa, levado-os à Justiça e tem até revistado a imprensa nos protestos —em alguns casos, jornalistas foram agredidos por profissionais de segurança.

Além disso, logo que assumiu o cargo, Doria endureceu a lei para dar arcabouço legal à repressão aos protestos.

O governo do estado afirma que é a favor da liberdade de imprensa e que os policiais só utilizaram força física quando tiveram que reagir a depredações ou violência.

Na busca de se encaixar na onda bolsonarista em 2018, Doria prometeu que a polícia atiraria para matar caso ele fosse eleito. Sua abordagem em relação às manifestações parece ser extensão de uma política de segurança pública que atingiu ponto crítico na tragédia de Paraisópolis (na qual nove jovens morreram após ação da PM) e afago a uma parcela do eleitorado que pode ser relevante daqui a três anos.

Em seu primeiro mês no Palácio dos Bandeirantes, Doria regulamentou lei de 2014, gestada no bojo das reações às manifestações de 2013 (contra o aumento da passagem) e de 2014 (contra a Copa do Mundo), com a proposta de endurecer o tratamento aos adeptos da tática black bloc, que pregam depredação e usam máscaras negras.

De acordo com a lei, o uso de máscaras é vedado. No caso de pessoas sem documentos, essa lei prevê que o policial poderá contatar familiares e até o empregador da pessoa.

A lei também determina comunicação prévia de protestos com expectativa de público superior a 300 pessoas com no mínimo cinco dias de antecedência. O itinerário deve ser definido em conjunto com o comandante da PM na região.