PM investiga agente que falou em volta de 'governo comunista' no litoral de SP

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A Polícia Militar de São Paulo abriu um procedimento para investigar um agente da corporação que alertou moradores de São Sebastião, no litoral paulista, sobre um suposto "governo comunista" que estaria querendo voltar ao poder e tomar as casas dos cidadãos.

O policial foi chamado ao local na segunda-feira (25) para acompanhar a desapropriação de um imóvel considerado irregular. A população do bairro se opôs à operação, e foi então que o agente passou a discursar aos presentes.

"Você tem essa casa aqui que tem escritura", disse o PM, apontando para um imóvel. "É sua, você suou e pagou. Se vocês aceitarem esse governo comunista que está querendo voltar de novo, vai chegar a hora que o governo vai falar para você assim: 'Essa casa agora é do governo'", afirmou aos cidadãos.

"Eu não gosto de política e não estou indicando político nenhum. Eu só estou querendo explicar para vocês, aproveitando essa oportunidade aqui", seguiu.

O agente ainda pontuou que a ocorrência de desapropriação para a qual foi chamado estava inserida em "uma parte normal que o Estado faz" por se tratar de um imóvel sem escritura e localizado em área de preservação. "Porém, se a gente alimentar a parte comunista da história, aí vai ser igual nos outros países que está aí", continuou.

"É o que acontece na Bolívia, o que acontece no Chile, em todos os lugares aí, que está a maior guerra", disse ainda, citando países que, na verdade, não vivem um regime comunista nem estão em guerra.

Embora o PM negue falar sobre algum político em específico, seu discurso está alinhado ao que costuma dizer o presidente Jair Bolsonaro (PL) sobre o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Procurado, o Comando do 20º Batalhão de Policiamento do Interior da PM afirma em nota que instaurou o procedimento imediatamente após tomar conhecimento das imagens, com o objetivo de apurar a conduta do agente.

"A opinião pessoal do militar não reflete o posicionamento institucional nem tampouco se coaduna com os protocolos previstos para atendimento de ocorrências da Polícia Militar", afirma a corporação.

A PM ainda afirma que a apuração do episódio segue em aberto e será mantida em sigilo até o seu término.

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