PM prende suspeitos de integrar milícia na Zona Oeste do Rio

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Policiais lotados na Corregedoria da Polícia Militar prenderam, nesta terça-feira, em Jacarepaguá, na Zona Oeste do Rio, três suspeitos de integrarem a milícia chefiada por Leonardo Luccas Pereira, o Leléo. O grupo paramilitar disputa de territórios com traficantes e milicianos rivais na região da Praça Seca, Curicica, Freguesia e Taquara. Quando foi detido, o trio estava com um carro, além de quatro pistolas, oito carregadores, mais de cem balas, além de celulares, cartões de cobrança de cesta básica e cadernos de contabilidade do bando.

Segundo a PM, o suspeitos presos estavam se deslocando de Curicica para a Gardênia Azul. No último dia 9, a comunidade que tem negócios irregulares explorados pelo bando de Leléo sofreu uma tentativa de invasão de milicianos do bando de Luís Antônio da Silva Braga, o Zinho. Na ocasião, houve tiroteio e dois moradores ficaram feridos.

Nesta terça-feira, a partir de informações repassadas pelo Disque-Denúncia (2253-1177), os policiais tiveram acesso a placa do veículo que era utilizado pelos suspeitos de integrarem o bando de Leléo. A abordagem aconteceu na Rua André Rocha, na Taquara, e contou com policiais da 8ª e da 2ª Delegacias de Polícia Judiciária Militar (DPJM). Os três milicianos estavam num veículo Honda Fit, produto de roubo, e portavam pistolas de modelos diferentes (uma delas com kit rajada), carregadores e munição de calibres 40 e 9mm.

Além de celulares e documentos de identidade, foram apreendidos também três cadernos com anotações, referentes a extorsões praticadas contra comerciantes da região.

Dos três detidos, um deles usava tornozeleira eletrônica. De acordo com a polícia, eles já teriam anotações criminais anteriores. O caso foi registrado na 32ª DP (Taquara).

Na noite do último dia 9, após serem expulsos da Gardênia Azul, dez homens armados de fuzis, vestidos com roupas pretas, renderam um motorista de um Chevrolet Spin. Em seguida, eles usaram o carro para que parte do bando deixasse o local, enquanto o restante fogiu em um outro veículo.

A guerra entre milicianos e traficantes, que atinge áreas de jacarepaguá e de Campinho, faz parte de uma disputa pelo direito de explorar negócios irregulares, como cobranças de taxas de segurança e a venda de sinal clandestino de tv a cabo e de internet, em dez comunidades.

Nove são localizadas em Jacarepaguá, na Zona Oeste, e uma em Campinho, na Zona Norte do Rio. A guerra já dura sete meses e traz um rastro de pelo menos 12 mortes. Entre as vítimas está um turista americano, atingido por uma bala perdida . O conflito envolve bandidos de dois grupos milicianos rivais e de duas facções criminosas. Os grupos brigam pelo controle de uma arrecadação mensal , estimada pela polícia, em torno de R$ 6 milhões.