PM que atirou em jovem com deficiência intelectual pode ir a júri popular

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Na conclusão do inquérito policial, a indicação era para que o caso de Thiago Duarte de Souza fosse julgado na justiça militar; com a decisão de manter o julgamento na justiça comum, policial poderia ir à júri popular
Na conclusão do inquérito policial, a indicação era para que o caso de Thiago Duarte de Souza fosse julgado na justiça militar; com a decisão de manter o julgamento na justiça comum, policial poderia ir à júri popular

Texto: Juca Guimarães I Edição: Nadine Nascimento I Imagem: Arquivo de família

  • Thiago Duarte foi baleado na boca pelo cabo da PM Denis Augusto Amista Soares no último dia 8 de abril;

  • Jovem, que sofria deficiência intelectual, tinha 20 anos ficou internado 13 dias;

  • Crime aconteceu no jardim Limoeiro, na zona Leste, quando o rapaz ia comprar pão e leite;

  • Cabo que atirou disse na delegacia que Thiago estava armado, porém a família contesta versão;

A vara de júri do Tribunal de Justiça de São Paulo assumiu a análise do caso que investiga a morte do jovem Thiago Duarte de Souza, morto aos 20 anos, por conta de um tiro na boca disparado por um policial militar que estava de folga, no dia 8 de abril. O crime aconteceu no jardim Limoeiro, na zona Leste, quando o rapaz, que tinha uma deficiência intelectual severa, ia comprar pão e leite, e o cabo Denis Augusto Amista Soares, de 37 anos, atirou contra ele.

Na delegacia, o cabo deu versões diferentes para explicar o caso e acusou Thiago de tentativa de assalto e porte de arma. Essa versão é contestada pela família que afirma não haver provas da conduta criminosa do jovem, que não sabia ler, escrever, o endereço de casa ou o nome dos pais, além de necessitar de acompanhamento constante.

Na conclusão do inquérito policial, a indicação era para que o caso do Thiago fosse julgado na justiça militar. “A família aguarda que após essa análise, o caso vá a júri popular para julgar o cometimento de homicídio doloso. O encaminhamento do inquérito para a vara do júri é primeira vitória da família, que agora aguarda celeridade na continuidade do caso," avalia a advogada Marina Toth, colaboradora da Rede Contra o Genocídio que representa a família da vítima.

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Por conta do tiro, Thiago ficou internado 12 dias em estado grave e morreu no Hospital Geral de São Mateus, também na zona Leste.

A defesa do cabo afirma que foi um caso de legítima defesa, pois o rapaz não obedeceu às ordens de abordagens. As imagens das câmeras de segurança na área, que poderiam confirmar ou desmentir a versão do policial, não foram analisadas na investigação.

Testemunhas do crime, segundo a família, contaram que Thiago chegou a erguer a camiseta para provar que não estava armado, antes de ser atingido pelo disparo do cabo da PM.

“A investigação deve passar pela questão do Thiago estar ou não portando uma arma, a possibilidade da arma ter sido plantada. Se houve ou não algum tipo de ação dele contra o policial, e se a postura do policial foi em legítima defesa”, pontua a advogada.

A Secretaria da Segurança Pública de São Paulo (SSP) foi procurada pela Alma Preta Jornalismo para saber se o cabo Denis Augusto estaria preso ou afastado da atividade policial e quais os resultados dos laudos periciais feitos no corpo do rapaz. Em resposta, a pasta explicou que o inquérito, com o conteúdo de toda a investigação, foi encaminhado para “manifestação do Ministério Público e do Poder Judiciário”.

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