PM que denunciou homofobia é transferido, e comandante recebe promoção

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RIO — O capitão da Polícia Militar de Mato Grosso do Sul, Felipe dos Santos Joseph, foi transferido nesta segunda-feira do cargo que ocupava. O oficial chegou a ser preso na última quinta-feira após ter denunciado seu superior hierárquico por homofobia. O tenente-coronel Antônio José Pereira Neto, alvo da denúncia, foi promovido de função.

As mudanças constam na edição desta segunda-feira do Diário Oficial do estado. Joseph estava lotado na Diretoria de Recrutamento, Seleção e Promoção, no Comando Geral da corporação. Agora, ele vai trabalhar no 10º Batalhão da Polícia Militar, em função não gratificada.

O tenente-coronel Neto, no entanto, foi designado para o comando do Esquadrão Independente de Polícia Militar Montado (EIPMMont), a cavalaria da corporação.

— Quando o Joseph foi solto, ele foi ao comando geral buscar seus pertences e foi avisado pelo comandante de que seria separado do tenente-coronel Neto. Cada um trabalharia em um lugar diferente. Mas o que aconteceu foi que o Joseph vai para um batalhão, sem gratificação, e o tenente-coronel vai para um lugar onde sempre quis estar e gratificado com R$ 2,3 mil — disse o advogado Anderson Yamada, responsável pela defesa do capitão.

Os dois militares se desentenderam depois que Joseph formalizou uma denúncia contra Neto no Ministério Público Estadual. O capitão se declara como "orgulhosamente gay" e levou aos promotores cópias de conversas e áudios nos quais afirma ter sido alvo de homofobia por parte do tenente-coronel, no grupo de WhatsApp formado por colegas de trabalho.

Após a denúncia, Neto chamou Joseph para uma reunião de trabalho. De acordo com o advogado Anderson Yamada, que representa o capitão, o tenente-coronel quis conversar sobre o teor da acusação, mas Joseph se negou e acabou preso por desobediência.

A prisão foi relaxada no dia seguinte pelo juiz Albino Coimbra Neto. O magistrado sustentou que não houve desobediência do capitão, já que não há provas de que a conversa era sobre “assuntos de serviço”.

Piadas

Em nota enviada à imprensa, a defesa de Joseph pontua que o capitão era alvo de piadas sobre seu corte de cabelo, com sugestões de que era propício a determinadas práticas sexuais, ou de mentiras como a de que era portador de AIDS.

"Esta defesa se posiciona ainda no sentido de pedir retratações públicas e a apuração sobre a prisão ilegal ocorrida nas dependências do Comando Geral da PMMS", diz o texto.

Na nota, a defesa de Joseph diz ainda que o oficial "segue profundamente magoado e abalado com o desfecho dos fatos, mas enxerga que esse episódio pode contribuir para o debate sobre o tipo de instituição policial que se deseja, e se coloca à disposição para participar ativamente de todos esses debates e, como sempre fez, buscará a construção de uma polícia sempre melhor".

Procurada, a Polícia Militar de Mato Grosso do Sul não se manifestou até a publicação da reportagem. O Ministério Público do Mato Grosso do Sul (MPMS) foi questionado sobre o andamento da denúncia feita por Felipe Joseph, mas não respondeu até o momento desta publicação.

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