PM que fingia ser médico foi investigado por morte de estudante no RN

O policial militar Khlisto Sanderson Ibiapino de Albuquerque foi preso acusado de se passar por médico no Ceará. (Foto: Getty Images)
O policial militar Khlisto Sanderson Ibiapino de Albuquerque foi preso acusado de se passar por médico no Ceará. (Foto: Getty Images)

Preso por se passar por médico no interior do Ceará, o policial militar Khlisto Sanderson Ibiapino de Albuquerque, de 34 anos, já foi investigado pela morte de uma jovem em um hotel no Rio Grande do Norte em 2019.

A estudante de enfermagem Ana Clara Ferreira da Silva, à época com 18 anos, morreu após passar mal no hotel onde estava na companhia do PM. O caso aconteceu em novembro de 2019 e foi arquivado por falta de provas.

Segundo relatos de Ana Cláudia Ferreira dos Santos, que mora no Ceará, a jovem estava morando em Mossoró, onde cursava enfermagem na Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (UERN).

Foi na mesma cidade que a jovem conheceu Khlisto, que a convidou para uma festa em uma cidade vizinha no dia 17 de novembro de 2019.

"Ele convidou ela para ir a um aniversário da família dele em Apodi. Em seguida ela começou a passar mal e veio ao meu conhecimento que ela tinha tido um infarto. Até então eu não sabia desse relacionamento deles e quando eu soube da notícia eu fui para Mossoró. Já lá, aproximadamente umas 23 horas, a gente ainda tava tentando falar com ele sem um pingo de sucesso", disse a mãe de Ana Clara, em entrevista concedida ao G1.

Ainda de acordo com a mãe da jovem, quando finalmente se encontrou com Khlisto ele estava com cheiro de bebida alcoólica e passou a falar mal de Ana Clara.

"Quando ele chegou ele tava com um cheiro forte de álcool e falou para mim que tinha feito tudo para salvar a vida dela. Em seguida ele começou a falar mal da minha filha, os termos que ele usou tipo: 'ela bebia, mas não de virar as pernas', daí eu perguntei várias vezes de quem ele tava falando, porque essa pessoa na qual ele falava não era a minha filha, ele estava descrevendo uma pessoa totalmente diferente dela, e aí ele me falou que tinha tentado socorrer a minha filha, que tinha feito tudo", relembrou Cláudia.

A mulher então teria foi ao hotel onde a filha estava hospedada com o policial em busca de informações e soube por uma testemunha que Ana Clara começou a passar mal após tomar uma água dada a ela pelo policial.

"A pessoa falou que ouviu gritos e no meio deles ela [Ana Clara] perguntava porque não podia dar água pra filha dele [Khlisto]. Depois disso, ela começou a passar mal, o moço disse que ela tinha vomitado todo o banheiro. Aí ele pegou os filhos dele e pediu para irmã que estava no quarto ao lado para voltar para Mossoró", informou Cláudia.

A mão de Ana Clara, disse ainda que outra testemunha que também estava no hotel relatou a ela que uma ambulância do Samu foi acionada, mas quando os socorristas chegaram ao local Khlisto teria tentado impedir o socorro de Ana Clara, alegando que era médico e iria fazer os primeiros socorros.

O laudo da morte da jovem constava a causa do óbito teria sido por overdose por cocaína por solução não injetável, segundo a mãe da universitária.

A suspeita da família de Ana Clara é que a droga tenha sido colocada na água que a universitária consumiu.

Além desse processo, existem ainda mais três contra o policial, um deles ativo.

-Um inquérito policial que apurava possível prática de homicídio foi arquivado a pedido do Ministério Público por não ter havido indícios suficientes de autoria e materialidade.

-Um inquérito de violência doméstica pela suposta prática do crime de ameaça foi extinto após o réu ter se retratado e a vítima ter optado pelo não prosseguimento do processo.

-Um processo que apurava a prática do delito de ameaça foi arquivado após ter sido declarada extinta a punibilidade em razão da prescrição do suposto delito.

-Está em curso processo pela suposta prática do crime de estelionato, em tramitação na 3ª Vara Criminal de Mossoró, envolvendo uso de cheques de terceiros.

Entenda o caso

O PM foi preso na noite de sábado (16) em Paraipaba, no Ceará, suspeito de exercer ilegalmente a profissão de médico. A prefeita da cidade, Ariana Aquino, deu ordem de prisão ao falso profissional, que saiu da unidade hospitalar algemado.

O falso profissional não é formado em medicina e usava o registro no Conselho Regional de Medicina (CRM) de outra pessoa, segundo testemunhas.

Khlisto é soldado da Polícia Militar do Ceará e também responde judicialmente por violência doméstica contra mulher na Comarca de Fortaleza, em 2020, suspeito de agredir uma mulher na cidade de Mossoró, no Rio Grande do Norte.

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