PM que matou colega com disparo acidental em saída de boate na Barra da Tijuca paga fiança e é solto

O policial militar que matou um colega, na saída de uma boate na Barra da Tijuca, na Zona Oeste do Rio, no fim da madrugada deste sábado, pagou fiança de cinco salários mínimos e foi solto. De acordo com as investigações da 16ª DP (Barra da Tijuca), o soldado Michel Bonfim Dutra teria disparado acidentalmente contra o também soldado Douglas Rosa Silva ao retirar as armas de ambos que estavam guardadas no cofre da Lalu Lounge. A vítima chegou a ser socorrida por um amigo e produtor da casa noturna ao Hospital Municipal Lourenço Jorge, mas não resistiu aos ferimentos.

Levado a delegacia, Michel foi preso em flagrante por homicídio culposo. Acompanhado por uma advogada, ele se reservou ao direito de prestar esclarecimentos sobre o caso somente em juízo. Já testemunhas contaram que o disparo acidental aconteceu, por volta de 6h, quando os policiais militares foram dar baixa na cautela e efetuar a retirada das armas do cofre do estabelecimento, localizada na Avenida Armando Lombardi.

Também na distrital, o produtor relatou que, pouco após chegar a Lalu Lounge, viu o gerente gritando, pedindo socorro e dizendo que Douglas estava baleado e sangrando muito. O rapaz então saiu da boate, pegou seu carro e parou na porta da casa noturna, colocando o amigo no banco da frente. Ele narrou ter saído em alta velocidade, pela Avenida das Américas, em direção a unidade de saúde.

O produtor disse que, enquanto dirigia, colocava a mão na altura do peito de Douglas, a fim de tentar estancar o sangramento, mas o policial militar já estava desacordado. Após deixá-lo no Lourenço Jorge, ele foi até a 16ª DP. Na delegacia, foi apresentado um vídeo de uma câmera de segurança em que um funcionário da casa noturna aparece assinando um caderno e entregando as pistolas aos soldados. Em seguida, o tiro disparado por Douglas, que não está no ângulo da câmera, atinge o colega no ombro.

Nas imagens, a vítima está com um copo de bebida nas mãos quando é baleada e cai. Aos policiais, o funcionário contou ter visto Douglas desfalecendo e se aproximou para prestar socorro. Em depoimento aos delegados Marcelo Carregosa e Leandro Gontijo, ambos da 16ª DP, ele também afirmou haver um local reservado no estabelecimento para o procedimento de verificação de arma de fogo, com uma caixa de areia localizada ao lado da porta de entrada. O rapaz não soube informar, entretanto, se Douglas adotou esse procedimento ao chegar no local.

Ao GLOBO, a Secretaria de Polícia Militar informou que a Corregedoria da Corporação abriu um procedimento apuratório “para investigar a morte de um policial que estava de folga, durante uma ocorrência com outro policial militar, que também estava de folga no interior de uma casa de shows na Barra da Tijuca, Zona Oeste do Rio de Janeiro”. “O autor do disparo que tirou a vida do policial está prestando depoimento à Polícia Civil. A 2ª Delegacia de Polícia Judiciária Militar acompanha o caso”, disse, em nota.