PM que trabalhava na segurança dos palácios do Governo do Rio é preso em operação contra milicianos

Rafael Nascimento de Souza

RIO — Um dos policiais militares preso nesta manhã durante operação contra milicianos que atuavam na Baixada Fluminense realizada pela Polícia Civil é lotado na 1ª Companhia Independente da PM, grupo responsável pela segurança dos palácios das Laranjeiras e Guanabara, respectivamente a residência e a sede oficial do Governo do Estado do Rio de Janeiro. Carlos Vinicius Gomes do Nascimento da Silva, conhecido como Miojo, estava na unidade há apenas dois meses.

De acordo com o Ministério Público (MP), Silva trabalhou no 39º Batalhão (Belford Roxo) antes de assumir a função atual. No entanto, ele estava detido por "transgressões militares". A Polícia Civil afirma que ele era um dos responsáveis por gerir as finanças da milícia e pela venda de cigarros contrabandeados pela quadrilha.

Quatro policiais militares foram presos na ação desta quinta-feira. Além de Silva, foram detidos Alex Bonfim de Lima Silva e Leandro Calazans, lotados no 39º Batalhão, e José Eduardo Silva Farias, conhecido como Zé Cachorro. De acordo com os investigadores, todos faziam parte do braço armado da milícia. O titular da Delgacia de Homicídios da Baixada Fluminense (DHBF), Moisés Santana, afirma que o bando era extremamente violento e é o principal responsável por homicídios que ocorrem em Belford Roxo.

— Existem pelo menos 20 homicídios praticados por essa quadrilha em Belford Roxo neste ano. Eles eram extremamente violentos com quem não aceitava suas ordens e também com os seus desafetos — lembrou o delegado.

Também foi detido na operação um policial civil, identificado como Walter Marques de Oliveira Filho. Segundo o MP, o agente participou de um homicídio cometido pelos milicianos.

— Eles cometeram um homicídio e os milicianos ligaram para esse policial civil para tentar resolver a situação antes da Delegacia de Homicídios da Baixada chegar — contou Santana.

Investigadores também cumpriram um mandado de busca e a apreensão casa do vereador Eduardo Araújo (PRB), da Câmara de Belford Roxo. Há a suspeita de que ele teria envolvimento com a milícia, mas a DHBF ainda está apurando qual seria a função dele no grupo criminoso.

Quadrilha apontada como "maior homicida da Baixada"

A operação “Vingadores” desencadeada pela DHBF e pelo MP nesta manhã começou a partir de um homicídio cometido por essa milícia há seis meses no bairro Nova Aurora, em Belford Roxo. Na ocasião, um suspeito de fazer parte do tráfico de drogas foi executado pelos milicianos. A partir daí, os investigadores identificaram e prenderam os assassinos, paramilitares que atuavam em Belford Roxo e Nova Iguaçu.

— Conseguimos notar que, mesmo preso, o líder do grupo continuava dando ordens de dentro da cadeira para essa organização. Notamos que eles cometiam diversos assassinatos a luz do dia — lembrou o delegado Moisés Santana.

O promotor Fábio Correa classificou a quadrilha como a “maior homicida da Baixada”.

— Essa organização é o principal foco de homicídios de Belford Roxo. Eles praticam homicídios em grande escala. Com a prisão, há um reflexo no recuo e na fonte dessas pessoas em praticarem crimes. Eles são um grupo bem organizado e ramificado — disse o promotor.

Durante as investigações, a Polícia Civil identificou dois cemitérios clandestinos com mais de 20 corpos.

— Descobrimos outros locais usados por esses milicianos para esconder os corpos. Vamos identificar essas vítimas e solucionar muitos casos de desaparecimentos em Belford Roxo — completou Santana.