PM do Rio começa testar uso de câmeras nos coletes de 160 agentes durante o réveillon

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Policiais militares do Rio fizeram, nesta quarta-feira, os últimos ajustes para que, a partir desta sexta-feira, durante o réveillon, as abordagens, começando por Copacabana, na Zona Sul do Rio, passem a ser filmadas. Na noite da virada, 160 agentes do 19º BPM (Copacabana) e da Operação Lei Seca portarão o mecanismo que filma por até 12 horas e não pode ser interrompido. Será uma espécie de laboratório ou teste, que ao longo de 2022 irá para outros batalhões do estado.

As imagens são monitoradas pelo Centro Integrado de Comando e Controle (CICC), na Cidade Nova. Para a PM, os equipamentos “coibirão condutas delituosas e darão legitimidade às ações policiais”. O objetivo é a redução do uso de força pelos agentes durante as abordagens.

No começo do mês, o governo do estado alugou câmeras que serão usadas nos uniformes de agentes de 13 órgãos, como Polícia Militar, Polícia Civil e Corpo de Bombeiros. Os equipamentos já começaram a chegar e serão usados, por exemplo, para gravação das interpelações e, principalmente, nas operações policiais em todo o estado.

São 21.571 unidades. Parte dos aparelhos já começam a gravar a partir da tarde desta sexta-feira. Ao todo, 18.045 policiais militares vão atuar na virada. A paisagem da Zona Sul no dia 31 também terá a presença de policiais militares a cavalo, sendo que só em Copacabana haverá 2.482.

Além do Rio, policiais de São Paulo e Santa Catarina usam câmeras. Professor de economia da Queen Mary Universidade de Londres, o pesquisador Pedro Souza fez um estudo sobre o uso de câmeras nos uniformes de policiais militares de Santa Catarina, em 2018. A pesquisa durou três meses.

— Houve uma redução do uso da força de 61,2% dos PMs de Santa Catarina — explica o pesquisador.

Na PM paulista, o número de mortes decorrentes de intervenção policial, desde que câmeras foram instaladas nos uniformes, em junho deste ano, caiu 35%, na comparação com casos registrados entre junho e novembro de 2020.

Serão gastos por câmeras R$ 293 e por mês serão R$ 6 milhões aproximadamente. Os equipamentos serão alugados por 30 meses. Quem ganhou a licitação foi a empresa curitibana L8 Group. As imagens ficarão armazenadas em uma nuvem e, quando necessário, o próprio agente ou o controlador, que ficará no CICC, na Cidade Nova, poderá acionar um dispositivo que armazenará as imagens por até um ano.

Os órgãos de controle, como Ministério Público e Defensoria Pública, receberão as imagens quando pedirem.O porta-voz da PM, o major Ivan Blaz, destaca que “as câmeras veem para aperfeiçoar o policiamento” e dar “legitimidade” para as abordagens. Ele lembra que é uma aquisição do governo do estado, “na maior licitação para a compra desses equipamentos no país”.

—O Rio já tem a expertise de promover um réveillon com segurança. A chegada das câmeras vem para aperfeiçoar esse policiamento coibindo não só condutas delituosas, mas garantindo legitimidade para as ações.

O casal Marco Rogério Portelete, de 51 anos e Ana Lúcia Lemos Portelete, 56, de Vitória (ES), que está no Rio desde a última semana e pretende passar a virada do ano na capital fluminense, acredita que “as abordagens problemáticas” deixarão de existir. Ambos lembram que as imagens servirão para evitar versões diferentes de um fato.

— Essas câmeras mostrarão os dois lados. Além do mais, servirão para a segurança dos próprios policiais. As imagens poderão divulgar o que de fato ocorreu. Em muitos locais as abordagens são problemáticas e com a filmagem poderá isentar o policial ou mostrar que a pessoa que foi abordada não cometeu crime nenhum — acredita Marco.

O motorista Márcio Rodrigues dos Santos, 50, chegou na manhã desta quarta-feira no Rio. Veio com a mulher para alguns dias de descanso. De Curitiba (PR), a sua primeira vez em solo carioca. Santos conta que em seu estado há disputas de versões nas abordagens. Ele destaca o papel da câmera coibirá as arbitrariedades.

— É muito importante (que as ações sejam filmadas). Lá no Paraná não existe abordagem filmada. Então, sempre existem pessoas que dizem que foram agredidas pela polícia e os militares que contam que foram atacados. Com uma câmera na farda do PM, coibe, sobretudo, uma possível arbitrariedade por parte dos militares. A realidade será mostrada — destaca.

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