PM suspeito da morte de bicheiro esvaziou armários no batalhão antes de buscas

Vera Araújo
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Foto: Divulgação

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Três dias antes de a polícia fazer buscas nos dois armários do cabo da Polícia Militar Rodrigo Silva das Neves, suspeito de ser um dos executores do contraventor Fernando Iggnácio, ele retirou todos os seus pertences de dentro. O PM era lotado no 5º BPM (Praça da Harmonia) desde 2013, quando entrou na corporação. Quando a Corregedoria Interna da Polícia Militar foi revistar os compartimentos, encontrou as portas abertas e até os cadeados haviam sido levados.

Nesta quinta-feira, a Delegacia de Homicídios da Capital (DH) identificou o segundo integrante do bando que atacou o contraventor, mas o nome dele está sendo mantido em sigilo.

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Má reputação na PM

Na ficha de Das Neves, como o cabo era conhecido, ele era avaliado como péssimo policial. Sua folha de faltas e atrasos era extensa. Coincidentemente, um dia depois do homicídio de Iggnácio, em 11 de novembro, foi publicado em boletim da corporação que o PM era reincidente em “mal comportamento”. Por isso, estava respondendo a um Conselho de Revisão e Disciplina (CRD), que poderia culminar com a sua exclusão da Polícia Militar.

Na noite de quarta-feira, o cabo constava na escala de serviço no período noturno, mas não apareceu. Ele trabalhava numa cabine na área do Centro. Se ele não comparecer por sete dias, a partir do dia 18, será considerado desertor pela PM. Para a DH, no entanto, ele já é um foragido da Justiça. O último dia em que foi visto na corporação foi no domingo, quando trabalhou nas eleições. Além das faltas e atrasos, consta em sua ficha duas anotações de violência doméstica pela Lei Maria da Penha.

Além das faltas e atrasos, consta em sua ficha duas anotações de violência doméstica pela Lei Maria da Penha. Foi na casa da mulher do cabo, em Campo Grande, que a DH encontrou quatro fuzis, sendo que dois deles, segundo a perícia, foram usados no crime contra o bicheiro. Policiais da DH e da corregedoria também fizeram buscas na casa de uma irmã dele, na área do 14º BPM (Bangu), mas nada encontraram.

— Apesar da ficha dele ter atrasos, falta e casos de violência doméstica, não se imaginava que ele pudesse estar envolvido numa execução. Ele dava serviço numa cabine — comentou a tenente-coronel Gabryela Reis Dantas, que comanda a Coordenadoria de Comunicação Social da PM. — Ele ainda pode se apresentar na corporação ou na DH — disse a porta-voz.

Segundo Gabryela, a Corregedoria Geral da corporação vai acompanhar o inquérito instaurado pela DH e continuará ajudando nas buscas.

O contraventor Fernando Iggnácio, genro de Castor de Andrade, há anos inimigo declarado de Rogério Andrade na disputa territorial do jogo do bicho e das máquinas caça-níqueis, foi morto no último dia 10 de novembro, quando, após descer de um helicóptero que havia o trazido de Angra dos Reis, caminhava até seu carro, no estacionamento de uma empresa de táxi aéreo no Recreio dos Bandeirantes. Surpreendido numa emboscada, ele foi atingido por vários tiros de fuzil.

O que se sabe

Quem matou Fernando Iggnácio sabia que ele retornaria de Angra dos Reis de helicóptero na terça-feira. Segundo as investigações, o atirador chegou horas antes ao local e se posicionou em local estratégico à espera do bicheiro. O acesso ao ponto ideal para a execução foi um terreno baldio que fica ao lado do estacionamento onde a vítima foi baleada.

A pessoa que efetuou os disparos contra Iggnácio usou um fuzil Ak-47, calibre 762, segundo a polícia. Apesar do potencial de longo alcance, o suspeito estava a cerca de cinco metros da vítima, que foi alvejada cinco vezes.

As pegadas no terreno baldio que deu acesso ao local do crime indicam a participação de três pessoas na execução de Fernando Iggnácio. A polícia agora tenta descobrir se todos os disparos foram feitos por um único atirador.

A Delegacia de Homicídios recolheu HDs com imagens de 64 câmeras do circuito de segurança da empresa de táxi-aéreo onde o contraventor foi executado.