PM suspeito de matar dois a tiros em show sertanejo se entrega no interior de SP

CAMPINAS, SP, E SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O suspeito de ter feito os disparos que mataram duas pessoas durante um show sertanejo em Piracicaba (a 157 km de São Paulo), no fim de semana, se entregou nesta terça-feira (22) à Polícia Civil. Ele é um policial militar que trabalha na capital paulista.

A informação de que ele se entregaria foi divulgada durante a manhã pelo advogado Adilson Borges, que foi contratado para defender o PM, que tem 25 anos e não teve o nome divulgado. Ele foi transferido por volta das 15h para o Presídio Romão Gomes, na zona norte de São Paulo.

"Inicialmente lamentamos profundamente as mortes ocorridas e queremos prestar as máximas condolências às famílias das vítimas. Em respeito à ética profissional, não podemos trazer informações acerca dos fatos", declarou o advogado Borges.

Os tiros ocorreram durante apresentação da dupla sertaneja Hugo e Guilherme na festa chamada "Fervo". Segundo testemunhas, os tiros foram dados após uma briga de casal.

Em entrevista coletiva, a delegada Juliana Ricci, da Deic (Divisão Especializada de Investigações Criminais), disse que o policial declarou que estava no show com a esposa, também PM, e dois casais de amigos, quando começou um empurra-empurra.

"Ele disse que não houve, em nenhum momento, uma briga de casal. O show estava cheio, e houve um momento em que ele não soube dizer como, foi envolvido no tumulto. Ele disse que estava com a arma para se proteger, mas que não queria atingir ninguém", afirmou a investigadora.

O policial diz não saber quantos disparos foram feitos. A Polícia Civil encontrou ao menos cinco cápsulas no local do evento. A arma não foi apresentada.

Segundo a delegada, pelo fato de ser policial militar, ele poderia estar armado e poderia ser liberado para entrar na festa, mesmo passando pela revista, desde que se identificasse como integrante da corporação.

O PM atua em um batalhão na zona leste de São Paulo. Um processo administrativo foi aberto pela Corregedoria, que pode terminar com a demissão dele. A Polícia Civil ainda apura se a esposa também estaria armada.

Ricci afirma não ver motivo por enquanto para incluir a organização da festa no inquérito policial.

Um dos disparos acertou Leonardo Victor Cardozo, 26. Segundo a polícia, estaria próximo ao casal e tentou intervir, quando foi baleado. O jovem morreu no local.

A outra vítima estava na pista. Heloise Magalhães Capatto, 23, estudante de odontologia da Unicamp, chegou a ser resgatada por uma equipe da própria organização, mas também não resistiu.

Outras duas pessoas também foram baleadas.

Uma delas foi ferida de raspão, nas costas. Em depoimento à Polícia Civil, ela contou que não sabia de onde veio o tiro nem conhecia nenhum dos envolvidos. A vítima procurou atendimento particular e está bem, segundo os investigadores.

A quarta pessoa está internada na enfermaria do Hospital dos Fornecedores de Cana, em Piracicaba, e não corre risco, segundo a administração da unidade. Ela foi atingida na orelha e têmpora.

A Polícia Civil diz que recebeu 500 imagens tiradas pelo fotógrafo oficial da festa.