PM vai ajudar Prefeitura do Rio a proibir comércio em favelas cariocas

Luis Ernesto Magalhães
O prefeito do Rio, Marcelo Crivella

O prefeito Marcelo Crivella proibiu estacionamentos na orla do Rio e nas ruas internas (desde o Leme até o Pontal) por pelo menos sete dias, a contar a partir desta terça-feira, como forma de reduzir a movimentação na cidade e ajudar no combate ao novo coronavírus. Apenas veículos de moradores serão autorizados. Outra medida é a proibição do funcionamento do comércio nas comunidades cariocas, exceto supermercados e farmácias, também pelo mesmo período. As operações serão coordenadas com a Secretaria de Ordem Pública e a Polícia Militar.

Sobre as proibições nas comunidades, o secretário de Ordem Pública, Gutenberg Fonseca, anunciou que uma reunião na tarde desta terça vai definir a participação da PM no esquema de bloqueio das favelas. Nessas restrições, só serão permitidas que as farmácias e os supermercados funcionem. Estabelecimentos congêneres, como açougues e mercearias, vão ter que permanecer fechados. A Rocinha, na Zona Sul, é a prioridade no momento.

— Essas medidas nas comunidades são para salvar a vida dos moradores. E dependem muito da PM, porque nossa guarda atua desarmada e tem dificuldade de atuar nessas áreas — disse Crivella.

A decisão foi tomada após Crivella se reunir com o comitê de crise após a evolução de casos confirmados na cidade subir nos últimos dias. Uma outra medida é que, também a partir de hoje, o município só vai permitir apostas lotéricas online, a fim de diminuir as aglomerações nesses estabelecimentos.

Haverá ainda restrições à entrada de carros e pessoas a alguns bairros. Só será autorizado o acesso a farmácias e mercados. Entre os que já estão com restrições em vias estão Tijuca (na Praça Seans Peña, Zona Norte), Grajaú (entorno da Praça Verdun, Zona Norte), Méier (Zona Norte), Madureira (Zona Norte), Cascadura (Zona Norte), Pavuna (Zona Norte), Santa Cruz (Zona Oeste), Guaratiba (Zona Oeste), Realengo (Zona Oeste), Taquara (Zona Oeste) e Freguesia (Zona Oeste).

— Neste início do mês de maio, tivemos um aumento do número de casos. Alguns acham que pode ter sido por conta do feriado do dia 1º de maio. Uma das hipóteses é que as pessoas tiraram o feriado inclusive para sair da quarentena e sem máscara, o que pode aumentar o risco de contaminação. Outra é que há um certo cansaço da população em seguir as medidas restrititvas. E as pessoas acabam se expondo mais. Isso se reflete rapidamente na curva — disse Crivellla.