PMA faz apelo urgente por situação de fome na América Central

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Soldados ajudam a carregar pacotes com alimentos em um caminhão para distribuição em comunidades de diferentes municípios de El Salvador, em Antiguo Cuscatlan, em 11 de maio de 2020

O Programa Mundial de Alimentos (PMA) fez nesta terça-feira (23) um apelo urgente para ajudar quatro países da América Central (El Salvador, Guatemala, Honduras e Nicarágua) afetados por uma grave fome causada pela crise econômica desatada pela covid-19 e pelos desastres naturais.

Em um comunicado divulgado em Roma, a organização das Nações Unidas, prêmio Nobel da Paz em 2020, reconheceu que a fome "se multiplicou por quatro nos últimos dois anos" nesses quatro países.

A entidade fez um pedido urgente à comunidade internacional para dar assistência a 2,6 milhões de pessoas desses quatro países, o que exige US$ 47,3 milhões nos próximos seis meses.

O PMA calcula que 1,7 milhão de pessoas se encontram em estado de "emergência" pela insegurança alimentar e "precisam de assistência alimentar urgente".

"O ano 2020 foi um ano para esquecer em todo o mundo, e mais ainda para as comunidades da América Central que receberam uma série de golpes", destaca Miguel Barreto, diretor regional do PMA para América Latina e Caribe, citado no comunicado.

A destruição de casas e cultivos por dois furacões gêmeos, a escassez e redução de alimentos, assim como a falta de empregos estão gerando também uma onda de migração.

"A temporada recorde de furacões no Atlântico em 2020 provocou um duro golpe em milhões de pessoas que antes não sofriam de fome, entre elas trabalhadores que dependem da economia de serviços, do turismo e dos trabalhos informais", afirma o órgão.

"Das pessoas entrevistadas pelo PMA em janeiro de 2021, 15% estão fazendo planos concretos para migrar", enfatizou a agência da ONU.

- Pandemia, furacões e mudança climática -

Os furacões Eta e Iota que atingiram a América Central em novembro de 2020 transtornaram a vida de 6,8 milhões de pessoas que perderam suas casas e seus meios de subsistência, estima o PMA.

Os furacões destruíram mais de 200.000 hectares de alimentos básicos e cultivos comerciais nos quatro países e mais de 10.000 hectares de terras de cultivo de café em Honduras e Nicarágua, resume a agência especializada.

"Os furacões destruíram essas comunidades enquanto elas estavam lidando com a perda de empregos e uma economia em contração pela covid-19", lembra a organização humanitária.

Segundo as estimativas do PMA, o número de casas que não tinham o suficiente para comer durante a pandemia quase dobrou na Guatemala em comparação com os números anteriores ao surto de coronavírus.

As comunidades da América Central também sofreram a pior parte de uma emergência climática, onde anos consecutivos de seca e um clima ruim interromperam a produção de alimentos, especialmente alimentos básicos como milho e feijão, que dependem em grande parte das chuvas regulares, explicou o PMA.

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