PMs da Rota taparam câmeras em ação que resultou em morte em Osasco

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Três policiais militares da Rota (Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar) taparam com as mãos as câmeras presas à farda no momento em que um homem suspeito de sequestro foi morto em Osasco, na Grande São Paulo, no último dia 12. Além disso, posicionaram seus fuzis em frente aos equipamentos.

As informações constam do processo que tramita no Tribunal de Justiça Militar contra um tenente e dois cabos. Detidos na última segunda (18), eles tiveram a prisão preventiva revogada nesta quarta (20).

A reportagem não localizou a defesa dos policiais. Procurada, a Secretaria da Segurança Pública disse que a PM responderia. Em nota, a corporação afirmou que a "Polícia Militar esclarece que as imagens captadas estão em apuração por meio de Inquérito Policial Militar".

As ações dos policiais foram vistas durante investigação da Corregedoria da PM, que pediu a prisão deles por fraude processual.

O Ministério Público opinou favoravelmente ao pedido de prisão, diante das imagens das câmeras corporais e da narrativa apresentada, "que demonstram que a vítima se entregou de forma voluntária com as mãos para cima".

Segundo a versão dos PMs, o suspeito atirou contra eles e, então, eles revidaram.

O homem morto era suspeito de sequestrar e roubar duas pessoas em situações distintas na noite do dia 12. Ele e mais dois homens foram perseguidos por policiais pela rodovia Anhanguera.

PMs relataram que os criminosos usavam fuzis e chegaram a disparar várias vezes contra os policiais.

Durante a fuga, o trio abandonou em uma rua, na altura do km 18 da rodovia, o carro em que estava e entrou numa área de mata.

De acordo com o Tribunal de Justiça Militar, foi nesse momento que os três PMs da Rota passaram a procurar os suspeitos.

Conforme a versão dos policiais, inicialmente o suspeito "teria levantado as mãos, a fim de se entregar, porém, de forma repentina, veio a empunhar um revólver calibre 38 com a numeração raspada".

O tenente efetuou, então, cinco disparos de fuzil. Um dos cabos afirmou ter atirado uma vez com seu fuzil.

O suspeito foi atingido no tórax, na lateral do tronco, próximo à axila esquerda e na nádega direita, segundo o documento do TJM. Socorrido pelo Corpo de Bombeiros, ele morreu no Pronto-Socorro do Hospital Regional de Osasco.

No entanto, as apurações da Corregedoria da PM indicam um cenário diferente.

Analisadas as imagens das COPs (câmeras operacionais portáteis) dos PMs envolvidos, concluiu-se que os policiais "praticaram fraude processual ao obstruírem os registros das câmeras operacionais padrão que utilizavam posicionando os seus fuzis na frente da COP, colocando as mãos na sua frente e ao se posicionarem de forma contrária à da vítima, para que não fossem registradas as imagens da execução".

As apurações ainda indicam a possibilidade de o suspeito estar desarmado no momento em que foi morto. Segundo decisão do tribunal militar, há indícios de a arma encontrada com o suspeito ter "sido colocada pelos próprios policiais militares com o fito de legitimar a ação".

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