PMs envolvidos com a morte de Kathlen Romeu viram réus na Justiça Militar

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Cinco policiais militares que participavam da operação no Complexo do Lins, na Zona Norte do Rio, que resultou na morte de Kathlen de Oliveira Romeu, em junho deste ano, viraram réus na Justiça Militar pelos crimes de fraude processual e falso testemunho. A denúncia do Ministério Público (MP-RJ) foi aceita no último dia 17, como revelou o portal "G1". A jovem de 24 anos foi atingida por uma bala perdida durante um confronto entre PMs e traficantes. Ela estava grávida de quatro meses do primeiro filho.

Os praças Cláudio da Silva Scanfela, Marcos da Silva Salviano, Rafael Chaves de Oliveira e Rodrigo Correia de Frias respondem, cada um, por duas fraudes processuais e por dois crimes de falso testemunho. Já o capitão Jeanderson Corrêa Sodré, único oficial acusado, virou réu por fraude processual na forma omissiva.

"Inicialmente, verifico que há indícios de materialidade e de autoria dos crimes apontados, que decorrem dos elementos coligidos no procedimento administrativo, em especial os depoimentos colhidos em sede policial e no Ministério Público, Laudo de Exame de Local, Reprodução Simulada dos Fatos e Pen Drive contendo imagens", escreveu o juiz Bruno Arthur Mazza Vaccari, da Auditoria da Justiça Militar, ao aceitar a denúncia.

O magistrado, contudo, discordou do pedido de prisão preventiva dos policiais feito pelos promotores. Em vez disso, ele determinou a suspensão integral da função pública enquanto correr o processo e proibiu os PMs de manterem qualquer tipo de contato com as testemunhas. Além disso, os agentes estão impedidos de frequentar unidades da corporação e devem se apresentar mensalmente à Justiça.

As investigações da Polícia Civil indicaram que o tiro que matou Kathlen partiu da arma de um dos PMs. Dois agentes, ao prestarem depoimento na Delegacia de Homicídios da Capital, responsável pelo caso, admitiram que efetuaram disparos durante a operação no conjunto de favelas.

Segundo a denúncia elaborada pelos promotores, agora aceita pela Justiça Militar, os quatro praças retiraram o material que estavam no local em que a gestante foi baleada antes da chegada da perícia. Em seguida, o quarteto deixou no local 12 cartuchos deflagrados e um carregador de fuzil. Os itens acabaram entregues na 26ª DP (Todos os Santos) para simular um confronto, caracterizando o crime de fraude processual.

Nesta sexta-feira, véspera de Natal, parentes e amigos de Kathlen fizeram uma homenagem à jovem no Complexo do Lins. Com faixas em que se liam frases como "não foi confronto" e "justiça por Kathlen", o grupo também distribuiu presentes para crianças no ponto onde a gestante morreu.

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