PMs, helicóptero e Força Nacional são mobilizados no DF para ato com 3 manifestantes

BRASÍLIA, DF, E SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Um forte esquema de segurança, com oito pontos de bloqueio ao longo da Esplanada dos Ministérios e até a praça dos Três Poderes, e zero manifestantes golpistas eram o saldo até as 18h do protesto convocado por bolsonaristas para esta quarta-feira (11) no Distrito Federal.

Às 18h, horário marcado para início da manifestação, apenas policiais, servidores, turistas e jornalistas passavam pela Esplanada. Carros da Polícia Militar e da Força Nacional, helicópteros, drones e centenas de policiais estavam posicionados ao longo do Eixo Monumental, assim como a Polícia Montada.

Meia hora depois, um casal de manifestantes e um homem se posicionaram em frente ao Congresso. Eles ficaram até 19h15, quando foram embora.

O secretário-executivo do Ministério da Justiça, Ricardo Cappelli, nomeado interventor na segurança do Distrito Federal após os ataques de domingo (8), inspecionou a segurança na Esplanada e ouviu informe de agentes da PM sobre o reforço no local.

Cappelli afirmou ter plena confiança nas forças de segurança do Distrito Federal. "A gente está fazendo apenas uma vistoria de rotina", disse. "Estamos cumprindo nossa missão de evitar que qualquer excesso ocorra."

Ele foi perguntado sobre quem teria responsabilidade principal nos atos de 8 de janeiro. Em resposta, disse que "não foi à toa" que o ministro Alexandre de Moraes (Supremo Tribunal Federal) decretou a prisão do ex-secretário de segurança do Distrito Federal Anderson Torres. "No domingo, o secretário de segurança pública do Distrito Federal estava nos Estados Unidos. Não estava aqui. Essa é uma diferença básica."

Sobre a criticada atuação da Polícia Militar no domingo, ele reiterou ter plena confiança nos agentes. "As condutas inadequadas eu tenho confiança na Corregedoria, que já está apurando."

Ele disse ainda que os atos de domingo não vão se repetir. "O que houve foi uma ausência de comando da Secretaria."

Em entrevista à Folha de S.Paulo, Cappelli isentou o governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT) de qualquer responsabilidade por falhas na segurança e aponta sabotagem de Torres.

"Claro que houve uma quebra de confiança. A maior prova de que houve uma quebra de confiança é o fato de eu estar sentado aqui [como interventor]", afirma Capelli. Ele também diz que era "inimaginável" que "grupos de extrema direita seriam capazes de invadir o Supremo Tribunal Federal para arrancar portas de gabinete de ministro."

O governo reforçou a segurança na Esplanada. Além disso, Moraes determinou que as autoridades públicas do país impeçam quaisquer tentativas de ocupação ou bloqueio de vias públicas, rodovias, espaços e prédios públicos por manifestantes golpistas apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

O ministro impôs a "aplicação imediata pelas autoridades locais" de multa de R$ 10 mil para pessoas físicas e R$ 100 mil para pessoas jurídicas, por hora, que descumprirem essa proibição "por meio da participação direta nos atos antidemocráticos, pela incitação (inclusive em meios eletrônicos) ou pela prestação de apoio material (logístico e financeiro) à prática desses atos".

A ordem foi dada em resposta a um pedido da AGU (Advocacia-Geral da União), que alertou o ministro a respeito da chamada "Mega manifestação nacional - pela retomada do poder", convocada por bolsonaristas após os ataques às sedes dos Três Poderes.

AVENIDA PAULISTA

Mensagens convocando atos em São Paulo para esta quarta também circularam em aplicativos nesta semana. O policiamento foi reforçado nas imediações do Masp (Museu de Arte de São Paulo) na avenida Paulista.

No início da noite, horário marcado para o ato, na calçada do parque Trianon, em frente ao museu, havia ao menos seis integrantes da cavalaria da Polícia Militar, um micro-ônibus da PM, duas bases comunitárias, além de viaturas comuns e policiais em motocicletas.

O vão livre do Masp foi cercado com grades de contenção e atrás dela havia três PMs, além de moradores de rua que dormem ali.

Questionado sobre o motivo do policiamento reforçado, um PM disse que era por causa de uma suposta manifestação, mas que havia sido cancelada.

Por volta de 18h15, duas pessoas com bandeiras do Brasil nas costas passaram em frente ao museu em silêncio e seguiram reto, sem parar.

Um grupo com cerca de dez pessoas, aparentemente bolsonaristas, mas com roupas comuns, fez uma selfie em frente ao Masp e saiu rapidamente.

Um deles tinha calça camuflada e botas estilo coturno, mas vestia camiseta vermelha.

Outro homem, com camiseta verde e escudo da CBF (Confederação Brasileira de Futebol), reclamava com uma pessoa sentada na borda do espelho d'água do museu, que não havia mais do que seis pessoas do "grupo" por ali e disse, sobre alguém com quem havia falado ao celular pouco antes, que havia "amarelado".

Um jovem que se identificou à reportagem como Ângelo disse, quando PMs a cavalo passavam em frente ao museu, que há repressão policial e que não é terrorista.

Manifestações golpistas marcadas para outras capitais também não tiveram adesão nesta quarta-feira.

No farol da Barra, em Salvador, dezenas de carros de polícia faziam a segurança no local e não havia sinal de protesto antidemocrático no início da noite. O mesmo ocorria em cidades como Rio de Janeiro e Recife.

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Colaboraram João Pedro Pitombo, Aléxia Sousa e José Matheus Santos