PMs de operação que terminou com homem morto na Barreira do Vasco são presos

Francisco foi morto com copo de café na mão

Os policiais militares da UPP Barreira do Vasco envolvidos na ação que terminou com um homem morto na manhã deste sábado foram presos, segundo informou a corporação. De acordo com a PM, os agentes foram encaminhados para a unidade prisional e autuados pela Coordenadoria de Polícia Pacificadora (CPP) por desobediência de ordem e descumprimento de missão, ambos crimes militares. Ainda segundo a PM, a prisão não se baseou na morte de Francisco Laércio de Lima, de 26 anos, e sim "pela quebra dos protocolos estabelecidos pela corporação". O morador chegava do trabalho por volta das 7h com um copo de café na mão quando foi surpreendido por disparos. Pelo menos um tiro atingiu a vítima na cabeça.

A PM informa também que a morte de Francisco, além de investigada pela Delegacia de Homicídios (DH) da Capital, está sendo apurada por um Inquérito Policial Militar (IPM). Segundo testemunhas, os tiros partiram de um militar da UPP da comunidade de São Cristóvão, na Zona Norte. Não havia operação no local, segundo os moradores.

Laércio era gerente do bar Tico Mia, na Lapa. Ele costumava pegar um táxi para voltar para casa, mas neste sábado decidiu ir de ônibus. Saltou próximo à Rua Santo Antônio, um dos acessos à comunidade e seguiu na direção de casa com um copo de café na mão e uma sacola. O corpo de Laércio aguarda liberação no Instituto Médico Legal (IML), no Centro, será levado para o Ceará.

A esposa de Laércio, Ana Arlete Farias, de 25 anos, ainda estava dormindo quando recebeu a notícia. O casal é do Ceará mas se conheceu aqui no Rio e estavam juntos há apenas 5 meses. Tinham planos de construir uma casa em Ipaporanga, em sua terra natal.

Em nota, a PM disse que "equipes do Grupamento Tático de Polícia de Proximidade realizavam patrulhamento quando foram informados da presença de criminosos armados na comunidade. Chegando ao local, os policiais foram alvo de disparos de arma de fogo e houve confronto. Durante a ação, um morador foi atingido e não resistiu aos ferimentos".

Na comunidade da Zona Norte, os moradores ficaram revoltados.

— Aqui é uma comunidade pacífica. A gente não vê ninguém armado. É mais um inocente que morreu pelas mãos da polícia — disse uma jovem, sem se identificar, que ouviu pelo menos nove disparos.