PMs do Rio vão usar capacetes durante incursões em favelas para reduzir mortes

A partir de março deste ano, policiais militares do Rio vão usar capacetes balísticos em operações em favelas. No Brasil, o equipamento faz parte do uniforme de militares do Exército e dos fuzileiros navais para atividades de patrulhamento e também é utilizado por forças especiais de várias corporações pelo mundo, como os Seals da Marinha americana. Na PM fluminense, entretanto, o uso do aparato para incursões em comunidades é inédito.

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O primeiro lote de 1.342 capacetes, comprado por R$ 4,5 milhões, chega em março e, inicialmente, será destinado a policiais do Batalhão de Operações Especiais (Bope) e dos Grupamentos de Ações Táticas (GATs), pequenos grupos especializados em incursões das unidades convencionais. O objetivo da corporação, porém, é que nos próximos anos todo policial que atue no patrulhamento do estado tenha um equipamento semelhante acautelado.

Compromisso

A aquisição dos capacetes é um compromisso assumido pela corporação no Plano de Redução da Letalidade Policial enviado ao Supremo Tribunal Federal (STF) em dezembro do ano passado, como determinado pela Corte na ADPF 635, ação que questiona a política de segurança do Rio. Atualmente, na PM, só agentes do Batalhão de Choque usam capacetes, mas em situações de controle de distúrbios, como manifestações.

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O novo modelo adquirido pela corporação, contudo, é menor e mais leve, adequado para incursões em favelas. O item também tem um espaço onde câmeras podem ser acopladas em sua parte dianteira.

— Desde que assumi como secretário, fui a vários sepultamentos de policiais militares. E, na maioria, os agentes foram baleados na cabeça. É uma área do corpo que fica muito vulnerável durante as operações. Por isso, determinei a compra dos capacetes — afirmou o secretário da PM, coronel Luiz Henrique Marinho Pires.

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O Estado do Rio já foi, inclusive, condenado na Justiça por não prover capacete a um policial militar atingido por um tiro na cabeça durante operação. Em 2020, a juíza Alessandra Cristina Tufvesson, da 8ª Vara de Fazenda Pública, determinou que governo indenize em R$ 120 mil um tenente que ficou com o lado direito do corpo paralisado após ser baleado numa incursão do Batalhão de Ações com Cães (BAC) no Morro da Mangueira, em 2018. A magistrada entendeu que a PM tinha a obrigação de fornecer o capacete balístico para proteger o policial.

Para reduzir as mortes de agentes em serviço, a PM também adquiriu, ao longo do ano passado, viaturas mais resistentes a disparos e ambulâncias blindadas. Em 2022, segundo dados da corporação, o número de policiais militares vítimas de homicídio teve queda de 32%: foram 38, contra 56 no ano anterior.

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Outra novidade da corporação prevista para 2023 é a inauguração de companhias destacadas de unidades especiais da PM na Zona Oeste, na Baixada Fluminense e no interior do estado. O objetivo, segundo o secretário, é aumentar a presença de agentes em áreas consideradas estratégicas e com déficit de policiamento.

— Vamos colocar mais policiais no terreno. Esses agentes, que hoje ficam aquartelados nas sedes desses batalhões, vão ficar espalhados pelo estado, em regiões que precisam de reforço — explicou o coronel.

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O Batalhão de Rondas Especiais e Controle de Multidão (Recom), cuja sede fica no Choque, no centro do Rio, vai ganhar uma base na Avenida Brasil, na altura de Campo Grande, na Zona Oeste, para ajudar no patrulhamento da via. Já o BAC vai ter uma sede em Macaé, no Norte Fluminense, com o objetivo de realizar operações para apreensão de armas e drogas na região. Uma companhia do Regimento de Polícia Montada (RPMont) será transferida para Teresópolis, na Região Serrana, e outra do Grupamento Aeromóvel (GAM) irá para Mesquita, na Baixada Fluminense.