PMs são presos por receber propina para liberar caminhões em rodovias do Rio

Rafael Soares

Seis PMs do Batalhão de Polícia Rodoviária (BPRV) foram presos nesta quarta-feira acusados de integrarem uma organização criminosa que recebia propinas de empresários para liberar caminhões retidos durante fiscalizações em rodovias do Norte Fluminense. As prisões preventivas dos agentes foram decretadas pela Auditoria Militar do Tribunal de Justiça do Rio, após uma investigaçao realizada ao longo de dois anos pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público do Rio e pela Corregedoria da PM.

A  investigação começou a partir de uma denúncia feita por um representante de uma das empresas achacadas pelos policiais militares. O relato informava que os agentes de postos do BPRV no Norte Fluminense retinham caminhões ate conseguirem os contatos de representantes das empresas responsáveis para, então, exigir pagamento de propina para liberar os veículos. A partir da denúncia, a Justiça quebrou o sigilo telefônico dos envolvidos.

Ao todo, 24 PMs do batalhão foram identificados como integrantes do esquema. A investigação, entretanto, foi dividida em núcleos da organização criminosa. O primeiro núcleo teve a prisão decretada nesta semana. Novas prisões são previstas para o segundo semestre.

O único oficial denunciado nesta primeira fase é o major Felipe Lopes Magalhães dos Reis. Atualmente, ele estava lotado no 4º BPM (São Cristóvão), onde atuava na Comissão de Fiscalização de contratos de abastecimento da unidade. Também foram presos o subtenente Epaminondas da Costa Lima, os subtenentes reformados Luiz Cláudio Cardoso de Oliveira e Marcos Souza de Oliveira, e os sargentos Renato Mendes Xixiu e Wellington Soares da Silva. Todos irão responder pelos crimes de organização criminosa, corrupção passiva, concussão e lavagem de dinheiro.