Pobreza extrema no Brasil não atingiu seu menor nível em 40 anos

Pessoas em situação de rua, que perderam seus empregos durante a pandemia de covid-19, compartilham cabeças e pés de frango descartados de um açougue, no Rio de Janeiro, em 10 de novembro de 2021 (Foto: Agência Anadolu via Getty Images / Fabio Teixeira)
Pessoas em situação de rua, que perderam seus empregos durante a pandemia de covid-19, compartilham cabeças e pés de frango descartados de um açougue, no Rio de Janeiro, em 10 de novembro de 2021 (Foto: Agência Anadolu via Getty Images / Fabio Teixeira)
  • Informação errada foi reproduzida pelo deputado federal Eduardo Bolsonaro no Twitter

  • Segundo a publicação, a extrema pobreza teria atingido seu menor nível em 40 anos

  • No entanto, índice ainda é maior do que o de 2015 e de anos anteriores

Em um tuíte publicado na última terça-feira (21), o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) compartilhou uma manchete afirmando que o "Auxílio Emergencial ajudou a diminuir a pobreza extrema ao menor nível em 40 anos". A publicação já soma mais de 11 mil interações na plataforma. No entanto, de acordo com dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), embora o índice de extrema pobreza tenha diminuído, ainda é mais alto do que a taxa de 2015.

Captura de tela de uma publicação de Eduardo Bolsonaro (PL) afirmando que o nível da pobreza extrema no Brasil é o menor em 40 anos (Foto: Twitter / Reprodução)
Captura de tela de uma publicação de Eduardo Bolsonaro (PL) afirmando que o nível da pobreza extrema no Brasil é o menor em 40 anos (Foto: Twitter / Reprodução)

O tuíte utiliza como fonte um texto publicado no site Hora Brasília. Apesar da manchete, o artigo não apresenta dados nem fontes que demonstrem que a pobreza extrema atingiu seu menor patamar em 40 anos.

Além disso, dados do IBGE contrariam a informação do título. De acordo com dados da Síntese de Indicadores Sociais, programas sociais como o Auxílio Emergencial, de fato, ajudaram a diminuir o nível de extrema pobreza. Em 2020, a 5,7% da população esteve nessa condição, e sem os benefícios, o índice teria saltado para 12,9%, conforme a projeção do IBGE.

O número atingido em 2020 foi o menor desde 2016, mas ainda assim foi maior do que as taxas de 2015 (4,9%), 2014 (4,5%) e 2013 (5,1%). Sendo assim, não é possível afirmar que o índice de pobreza extrema chegou ao menor nível em 40 anos.

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