Pobreza no Brasil aumenta com redução do auxílio emergencial

Ana Paula Ramos
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Brazil has 142,280 deaths due to coronavirus confirmed until 1 pm this Tuesday (29th), A Returned in families, hunger eats inside the bodies of those who have nothing to eat, in the Mangueira favela north of the city, the situation is the latter, unemployment and hunger, because only the hungry feel what is called the pit of the stomach. Currently, in the country, at least 10.3 million Brazilians have nothing to eat daily. And the situation is even more comprehensive in 36.7% of households, which suffer from another extreme condition: they do not have regular access to food in sufficient quantity and quality to nourish themselves. It is what is called food insecurity in economics and social sciences. Hunger is spread over three levels. Mere theory. Hunger without food reward is all the same: it is hunger! The study, released last week, is from IBGE and refers to 2017 and 2018 - just three years, therefore, after Brazil was removed by the UN from the hunger map in 2014. In 36 months, this sad map our sad tropics, as defined by the anthropologist Claude Lévi-Strauss, returned with 14.1% more misery. (Photo by Fabio Teixeira/NurPhoto via Getty Images)
Pobreza aumenta no Brasil com redução do auxílio emergencial e 41,1 milhões estão abaixo da linha da pobreza (Photo by Fabio Teixeira/NurPhoto via Getty Images)

A taxa de pobreza no Brasil aumentou 19,4% no Brasil em setembro, em razão da redução do auxílio emergencial de R$ 600 para R$ 300, de acordo com o Instituto Brasileiro de Economia (Ibre) da Fundação Getúlio Vargas (FGV). Os indicadores foram calculados com base nos dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Covid divulgada pelo IBGE.

Desde o final de setembro, o valor do auxílio emergencial pago pelo governo federal a vulneráveis por causa da pandemia de coronavírus passou para R$ 300 e segue até dezembro. Mães chefes de família recebem R$ 600 por mês.

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Em agosto, o total de pessoas vivendo abaixo da linha da pobreza era de 38,9 milhões, correspondendo a 18,4% da população. Essa parcela inclui quem tem renda inferior a US$ 5,50 ao dia, linha de corte adotada pelo Banco Mundial.

Com a redução do valor do auxílio, a taxa de pobreza avançou para 18,4%, o que representa 41,1 milhões de pessoas, segundo cálculos do Ibre.

Cálculos da FGV também apontam que o número de pessoas na linha de extrema pobreza cresceu de 4,8 milhões em agosto para 5,2 milhões em setembro, o equivalente a 2,5% da população. Essa parcela tem rendimento inferior a US$ 1,90 ao dia.

Segundo o IBGE, 13 milhões de brasileiros estão desempregados.

O programa do auxílio emergencial beneficiou 67,2 milhões de pessoas e injetou R$ 204,4 bilhões na economia, conforme balanço da Caixa Econômica Federal.

Segundo Leandro Ferreira, presidente da Rede Brasileira de Renda Básica, uma das entidades participantes da campanha "Renda Básica que Queremos”, programas de transferência de renda cumprem um papel importante na economia do país.

“O auxílio emergencial, o Bolsa Família ou uma renda básica ajudam a diminuir a pobreza e a desigualdade, aumenta circulação de dinheiro, fortalece o mercado, ou seja, beneficiam a sociedade como um todo”, afirma.

FALTA DE ARTICULAÇÃO

A prorrogação ao auxílio emergencial por mais três meses, no valor de R$ 300, foi definida pelo governo do presidente Jair Bolsonaro por meio da medida provisória 1.000/20.

“Nós decidimos aqui, atendendo à economia, em cima da responsabilidade fiscal, fixá-lo em R$ 300”, disse o presidente Jair Bolsonaro, ao anunciar a medida, ao lado do ministro Paulo Guedes, e dos líderes dos partidos da base do governo no Congresso.

A medida passou a valer no momento de sua publicação, mas deveria ser apreciada e votada pelo Congresso em 120 dias. No entanto, devido a uma articulação da base aliada do governo, com apoio do presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), a matéria não foi votada, para evitar que os parlamentares aprovassem um valor maior.

A oposição obstruiu a pauta da Câmara para pressionar pela votação da medida provisória, mas até agora, sem sucesso.

Para Leandro Ferreira, o governo federal precisa desempenhar de forma mais adequada seu papel nas políticas sociais. O presidente da Rede destaca que, desde 2017, o Bolsa Família não repõe sequer a inflação, por isso é necessário “atualizar os valores do benefício e incluir mais beneficiários”.

Segundo ele, prefeitos e vereadores também podem se comprometer com uma política de renda básica municipal para diminuir a pobreza no Brasil.

“Prefeitos e vereadores devem lutar para fortalecer os programas sociais do governo federal com recursos municipais, além de apresentar propostas de transferência de renda municipais”, sugere.

O especialista em gestão pública também lembra que a sociedade civil se mobilizou para a criação do auxílio emergencial durante a pandemia e tem ainda a expectativa de que possa significar um avanço nos programas de transferência de renda, com a implantação da renda básica.

“E quem deve pagar a conta são os mais ricos, os banqueiros. O custo tem que incidir sobre quem tem mais”, completa.

ECONOMIA

O pagamento do auxílio emergencial a vulneráveis durante a pandemia também foi importante para a economia. Apenas em julho favoreceu o consumo de 50,7% das famílias do país, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Naquele mês, 107,11 milhões de pessoas moravam em domicílios com pelo menos uma pessoa recebendo a transferência de renda. Entre os 10% mais pobres, o auxílio chegou a 86,6% dos brasileiros, e no Norte e no Nordeste cerca de 60% dos domicílios o recebem.

NOVO AUXÍLIO

O ministro da Economia, Paulo Guedes, disse na quinta-feira (12) que o auxílio emergencial será prorrogado se houve um aumento significativo de casos de covid-19, que seria caracterizado como uma “segunda onda”.

"Existe possibilidade de haver uma prorrogação do auxílio emergencial? Aí vamos para o outro extremo. Se houver uma segunda onda de pandemia, não é uma possibilidade, é uma certeza. Nós vamos ter de reagir, mas não é o plano A. Não é o que estamos pensando agora”, disse Guedes em evento promovido pela Associação Brasileira de Supermercados (Abras).