Poder de compra do salário encolhe com reajuste baixo e alta da inflação

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*ARQUIVO* São Paulo, SP, Brasil, 21-08-2019: Still dinheiro. Cédulas. Real. (Foto Gabriel Cabral/Folhapress)
*ARQUIVO* São Paulo, SP, Brasil, 21-08-2019: Still dinheiro. Cédulas. Real. (Foto Gabriel Cabral/Folhapress)

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Os salários dos trabalhadores brasileiros estão encolhendo neste ano.

Em abril, pelo quarto mês seguido, mais da metade das negociações fechadas com empresas resultou em reajustes menores do que a inflação acumulada em um ano, segundo dados do Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos), e do Salariômetro, da Fipe (Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas).

Ainda que a lei proíba a redução das remunerações, sem o aumento real -quando o ajuste supera a inflação-, o resultado final para a vida prática é de um salário com o qual se compra menos.

Nos acordos e convenções de categorias com data-base em abril, o reajuste médio ficou em 5,6%. O INPC (Índice Nacional de Preços ao Consumidor) acumulado em 12 meses até março, usado como referência para essas negociações, estava em 6,9%.

De janeiro a abril, a variação real média ficou negativa em 0,57%, afirma o Dieese. A análise feita pelo departamento de estudos socioeconômicos aponta ainda que metade dos reajustes resultou em perdas iguais ou superiores a 0,18% para os trabalhadores.

Só 12,3% das negociações fechadas no período garantiram reajustes acima da inflação. Quase 6 em 10 (58,7%) terminaram com índices inferiores ao da inflação, ou seja, com perda no poder de compra.

Na divisão por segmento econômico, o setor de serviços foi aquele com o maior número de acordos com reajuste abaixo do INPC. No primeiro quadrimestre de 2020, 71,7% das negociações não chegaram a repor as perdas da inflação. Na indústria, o percentual foi de 46,8%, e de 35,9% no comércio, segundo o Dieese.

A escalada da inflação deve agravar ainda mais as condições para as negociações e coincide com um período de concentração de datas-base, que é o mês de maio.

As categorias que estão em negociação precisarão de reajustes de pelo menos 7,59% para compensar o INPC acumulado em 12 meses até abril.

Em maio, o índice chegou a 8,9% -o índice apura a variação de preços e os pesos das despesas para famílias com renda entre um e cinco salários mínimos e é o mais usado nas negociações de reajuste. A inflação oficial, o IPCA, ficou em 8,06% no mesmo período.

Na avaliação do economista André Braz, coordenador de índices de preços do Ibre/FGV (Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas), a inflação começará a recuar no segundo semestre, mas ainda ficará distante do teto da meta definido pelo Conselho Monetário Nacional, de 5,25%.

Para o coordenador do Salariômetro, Hélio Zylberstajn, as negociações de reajustes seguirão complicadas neste ano. Ele destaca, porém, que os acordos e convenções vêm discutindo mais direitos. Temas como a regulamentação do trabalho em casa também começam a aparecer com mais frequência.