A polêmica humilhação pública de suspeitos de crimes na China

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Suspeitos de crimes foram humilhados publicamente portando cartazes com suas fotos e nomes
Suspeitos de crimes foram humilhados publicamente portando cartazes com suas fotos e nomes

Policiais na região Sul da China foram flagrados por câmeras desfilando na rua com quatro suspeitos de crime numa forma de punição por humilhação pública.

Os quatro homens são acusados de traficar pessoas através da fronteira da China, que estão praticamente fechadas por causa da pandemia de Covid-19.

Vestindo trajes de proteção, eles foram exibidos pelas ruas da cidade de Jingxi, na província de Guangxi. A execração pública gerou reações distintas nas redes sociais e na mídia estatal.

Fotos e vídeos do episódio, que ocorreu em 28 de dezembro, mostram que os quatros acusados também portavam cartazes com seus nomes e suas fotos.

O jornal estatal Beijing News, controlado pelo governo, disse que "a medida viola gravemente o espírito do Estado de Direito e não pode ser permitida que aconteça novamente".

Para Guangxi Daily, veículo de mídia também controlado pelo governo, o ato disciplinar serve para reduzir crimes na fronteira e encorajar a adesão a medidas para prevenir e controlar a pandemia de Covid-19. A situação na fronteira por causa da doença foi descrita pelo Guangxi Daily como "grave e complexa".

A China, país onde a Covid-19 foi identificada oficialmente pela primeira vez no mundo no fim de 2019, registrou até agora 4.849 mortes e 114.365 casos da doença. Atualmente, o registro diário de infecções no país inteiro está em torno de 200. A título de comparação, o Brasil tem 5.000 casos por dia, os Estados Unidos, 235 mil diários e o Reino Unido em torno de 130 mil a cada dia.

O governo chinês tem, desde o início da pandemia, implementado uma política rígida de Covid-zero, usando testagem em massa e lockdowns para conter o avanço da doença, além de um enorme programa de vacinação em massa (86% da população está completamente vacinada).

Mas a estratégia de humilhação pública, associada a essa tentativa de controlar a pandemia, despertou elogios e críticas na rede social Weibo (uma espécie de Twitter chinês), onde o assunto chegou ao todos dos mais comentados na plataforma.

Para alguns, a execração dos supostos criminosos remete a humilhações públicas adotadas no país centenas de anos atrás. Outros demonstraram apoio aos esforços necessários para controlar o vírus perto da fronteira.

"O que é mais assustador do que desfilar na rua são os muitos comentários que apoiam essa abordagem", escreveu um usuário no Weibo.

O Departamento de Segurança Pública da cidade de Jingxi e o governo local defenderam a medida, sob alegação de que era uma "atividade de advertência disciplinar no local" e que não havia "nada inadequado".

Em 2007, um decreto das autoridades centrais da China proibiu o desfile de prisioneiros que haviam sido condenados à morte.

Humilhações públicas eram comuns durante a Revolução Cultural (1966-76), campanha de Mao Tsé-Tung contra inimigos capitalistas, mas atualmente são bastante raras.

Em 2006, cerca de 100 profissionais do sexo e alguns de seus clientes vestiram túnicas amarelas da prisão e também foram obrigados a desfilarem nas ruas.

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