Polêmica na Espanha por declarações do diretor de saúde do governo sobre enfermeiras

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Fernando Simón, diretor do centro de emergências sanitárias na Espanha, durante uma coletiva de imprensa em Madri, em 25 de junho de 2020
Fernando Simón, diretor do centro de emergências sanitárias na Espanha, durante uma coletiva de imprensa em Madri, em 25 de junho de 2020

Um comentário do diretor do centro de emergências de saúde na Espanha, Fernando Simón, no qual fez uma piada sobre enfermeiras "infecciosas", gerou polêmica e críticas por sua "conotação sexista", que levou o funcionário a desculpar-se. 

A polêmica começou na sexta-feira, quando foi divulgada uma entrevista on-line com Simón que, como uma figura do combate à pandemia de covid-19, dirige-se aos espanhóis todas as semanas em coletivas de imprensa transmitidas pela televisão.

Diante de uma pergunta sobre se gostava "das doenças infecciosas, ou das enfermeiras infecciosas", Simón respondeu entre risadas: "Não perguntei se eram infecciosas, ou não, isso você via alguns dias depois".

O Conselho Geral de Enfermagem, representante do sindicato na Espanha, condenou "o momento de desinibição machista e retrógrado" de Simón e seu tom "sexista e primitivo".

"As enfermeiras levam décadas lutando para se desfazer de todas as imagens e estereótipos machistas" e "é intolerável que uma pessoa com a responsabilidade que ostenta Simón em seu cargo se permita difamar" a profissão em plena pandemia, disse o comunicado.

"Peço desculpas a todas as pessoas ou grupos que possa ter aborrecido (...). Sinto muito, tratarei de não cometer erros desse tipo em nenhuma outra ocasião", disse nesta terça-feira Fernando Simón, ressaltando que suas palavras "não tiveram a ver" com a sua forma de pensar. 

Os comentários também foram classificados como "sexistas e vergonhosos" pela oposição de direita do Partido Popular (PP), que os denunciou ao Ministério da Igualdade.

A oposição de direita do Partido Popular havia qualificado os comentários como "sexistas e vexatórios", e a vice-presidente do governo, Carmen Calvo, considerou em uma entrevista à rádio Cadena Sur que Simón deveria pedir desculpas por um comentário "muito inadequado".

No passado, Simón recebeu críticas da oposição e de outros epidemiologistas por ter tardiamente aconselhado medidas de contenção à pandemia no início da primeira onda ou às vezes ter minimizado o impacto da crise na saúde, que na Espanha deixou 1,2 milhão de casos e mais de 36.000 mortes.

Apoiado pelo governo de esquerda do presidente Pedro Sánchez, o diretor do centro de emergências sanitárias faz uso de um estilo simples e muitas vezes informal em suas entrevistas coletivas.

O médico, que trabalhou na América Latina e África, na União Europeia e na Organização da Saúde, foi porta-voz durante outra crise: em 2014, ficou responsável pelo monitoramento nacional da epidemia de Ebola quando dois missionários espanhóis morreram em um hospital em Madri.

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