Polícia abre inquérito, e Belo terá que dizer quem pagou show na Maré no carnaval

O Globo
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RIO - A Delegacia de Combate às Drogas (DCOD) vai investigar o show que o cantor Belo fez no sábado de carnaval na favela Parque União, no Complexo da Maré, Zona Norte do Rio. A apresentação do pagodeiro, que aconteceu de madrugada no pátio do Ciep 326 Professor César Pernetta, foi filmada pelo próprio público e postada nas redes sociais. Nas imagens, é possível ver milhares de pessoas se aglomerando no local. Belo será intimado para esclarecer, na especializada, quem pagou o cachê da apresentação.

De acordo com nota enviada pela Polícia Civil, "todas as pessoas envolvidas no evento em questão serão ouvidas para esclarecimento". A corporação também informou que "o Parque União é uma comunidade com forte atuação do tráfico de drogas, que atua coagindo e ameaçando moradores e estabelecimentos da região".

Já a Secretaria de Estado de Educação (Seeduc) informou que não houve qualquer pedido de liberação do pátio do Ciep para a realização do evento. Também por nota, a Seeduc alega que não autorizou nenhum evento de qualquer natureza dentro de suas unidades escolares desde o início da pandemia e a suspensão das aulas presenciais.

Em nota enviada à TV Globo, a assessoria de Belo argumentou que o show foi feito seguindo todos os protocolos. "As praias estão lotadas, transportes públicos, e só quem sofre as consequências são os artistas. Que foi o primeiro segmento a parar, e até agora não temos apoio de ninguém sobre a nossa retomada. Sustentamos mais de 50 famílias", diz a nota.

Depois do show na Maré, Belo se apresentou em outra favela do Rio, o Complexo da Penha. Na noite de sábado, foi a vez da casa noturna Konteiner, na Vila Cruzeiro, receber o cantor e outras atrações. Nas imagens de redes sociais, é possível ver pessoas aglomeradas na plateia durante a apresentação.

Segundo os proprietários da casa, o público de ontem foi menor do que a metade da capacidade do local, de 2 mil pessoas. Em nota, eles afirmaram que estão em luta diária de sobrevivência, "garantindo emprego para mais de 200 funcionários diretos" da comunidade da Penha. A nota diz ainda que eles estão tentando "ao máximo controlar os protocolos, todos precisam trabalhar, não escolhemos qual família deve ou não passar necessidade". Além de Belo, Mc Tikão e a Bateria da Mangueira também subiram ao palco.

A Polícia Militar informou que vem desenvolvendo ações conjuntas com órgãos fiscalizadores com o objetivo de coibir a realização de eventos não autorizados. Disse ainda que "a atuação da corporação, enquanto órgão de segurança pública, segue protocolos técnicos, tendo como preocupação central a preservação de vidas - da população local e de policiais militares envolvidos na ação, assim como as determinações estabelecidas pela legislação vigente e por decisões judiciais".

A PM também ressaltou que "tem feito um amplo trabalho de conscientização desde o início da pandemia. Muito mais do que uma questão de segurança pública, esta é uma questão de respeito ao próximo".