Polícia abre sindicância para apurar conduta de policial que se negou a registrar estupro contra Bruno Krupp

A diretora do Departamento-Geral de Polícia de Atendimento à Mulher, delegada Gabriela Von Beauvais da Silva, determinou a abertura de uma sindicância para apurar a conduta de um policial civil que se negou fazer um registro de ocorrência por estupro contra o modelo Bruno Fernandes Moreira Krupp, de 25 anos. O agente teria alegado que o crime, que teria ocorrido após uma festa, em setembro de 2016, em Niterói, na Região Metropolitana do Rio, está fora da área de atribuição da Delegacia de Atendimento à Mulher de Jacarepaguá, onde a modelo, de 28 anos, buscou atendimento. Ao sair da especializada, a vítima precisou ir até à 6ª DP (Cidade Nova), distante 25 quilômetros de carro. O rapaz está preso preventivamente por atropelar e matar com uma moto o estudante João Gabriel Cardim Guimarães.

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Como O GLOBO mostrou, após a notícia de que Bruno Krupp foi acusado por uma jovem de 21 anos de tê-la estuprado, em 9 de julho deste ano, pelo menos 40 mulheres a relatarem em redes sociais terem sido vítimas de violência sexual pelo rapaz. A primeira do grupo a realizar o registro de ocorrência foi Priscilla Trindade, de 28 anos. De acordo com a moça, os dois se conheceram por amigos em comum e, após uma festa, ela a teria forçado a praticar o ato.

— Pelos dados estatísticos, apenas 18% das 55 vítimas de feminicídios no Rio haviam feito registro de ocorrência anterior. Dessa maneira, podemos concluir que a ida à delegacia de fato inibe o agressor a continuar numa escalada de violência. Por isso, repudiamos veementemente a má conduta do policial e iremos tomar as medidas necessárias para não haver um desestímulo na procura da polícia pelas vítimas de crimes — afirmou a delegada Gabriela Von Beauvais da Silva.

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Segundo ela, a partir do registro feito na 6ª DP, o caso foi remetido a Deam de Niterói, onde um inquérito foi instaurado. Titular da unidade, a delegada Alriam Miranda Fernandes irá realizar diligências, ouvindo testemunhas e também o modelo Bruno Krupp, apontado como autor do crime.

Em seu Instagram, Priscilla Trindade contou que após flertar com o modelo, ela aceitou ir até à casa dele e então para uma festa. Ao chegar na residência, disse que ele a deixou com dois amigos para irem ao evento, com a justificativa que chegaria mais tarde. Já de madrugada, o rapaz estaria bêbado e a pegou à força, querendo manter relações sexuais. “Eu falei várias vezes para ele parar e ele literalmente me forçou. Forçou mesmo. Depois de muito relutar, eu simplesmente cedi e foi horrível. Me senti um objeto”, relatou no perfil. A jovem contou ainda que, no meio do estupro, ele ainda pegou um celular e ainda tentou gravá-la sem roupa.

A modelo conta que o jovem pediu desculpas e ela acabou o perdoando e se mantendo em silêncio sobre o caso; quando encontrava o rapaz em festas, o cumprimentava normalmente. “Se eu soubesse que já havia denúncia contra ele eu teria feito (o registro na polícia) com certeza! Me dói pensar isso, mas talvez esse menino (João Gabriel) estivesse vivo ainda se esse bosta tivesse sido exposto por aqui”.

— Passei todos estes anos me sentindo culpada e envergonhada por tudo que aconteceu. Hoje, diante do atropelamento que matou um jovem inocente, me senti na obrigação de expor o crime do qual fui vítima justamente para encorajar outras mulheres a denunciarem, frear esses comportamentos por parte dele e evitar que outras pessoas também passem por situações semelhantes — afirmou a modelo, em entrevista exclusiva ao Globo.

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Procurado, o advogado Willian Pena, que representa Bruno Fernandes Moreira Krupp, negou os crimes e afirmou que, se ocorreram relações sexuais entre seu cliente e essas mulheres, elas se deram de maneira consensual.

— A quantidade de relatos mostrados pela vítima com similitude fática demonstram que não se trata de caso isolado e pode encorajar mais mulheres a denunciarem os abusos que já sofreram. O número de registros de crimes sexuais é muito aquém da realidade por diversos motivos, dentre eles: vergonha, sentimento de culpa, medo que não acreditem nelas, mau atendimento inclusive em delegacias especializadas com policiais despreparados para desempenharem sua função, represálias e marginalização em seu meio social — afirmou o advogado da modelo, João Alberto de Almeida Lima Junior.

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Após o relato da modelo, outras jovens publicaram em redes sociais histórias semelhantes de experiências de violência sexual envolvendo Bruno Krupp. “Em vários momentos da noite, ele me forçou a transar com ele, mesmo falando estar me sentindo muito constrangida pelo fato do amigo dele estar dormindo na cama de cima. No dia seguinte, fui embora me sentindo um lixo, contei para algumas amigas, mas me calei”, escreveu uma delas.

“Ele me forçou a beijar e a transar com ele, além de ter me passado DST (doença sexualmente transmissível) quando isso aconteceu. Foi horrível demais, ele é uma pessoa terrível e que merece estar atrás das grades”, relatou outra jovem. “Infelizmente passei pela mesma situação, só que dez anos atrás, em 2012. Uma jovem de 14 anos que nem soube como reagir a esse fato, como eu queria ter tido forças para denunciar na época”, lamentou outra jovem.

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Em um storie publicado na noite desta quarta-feira, a modelo disse que quase 40 mulheres a procuraram para relatar outras situações agressivas com Krupp. No caso do estupro investigado pela Deam de Jacarepaguá, a vítima procurou a delegacia no mesmo dia em que o crime teria ocorrido.

Segundo o depoimento prestado na especializada, ela narrou ter ido à casa de Bruno, na Avenida Lúcio Costa, na orla da Barra, admitiu ter ingerido bebida alcoólica, mas afirmou não estar vulnerável, tendo consciência do que estava acontecendo. Durante a madrugada, Bruno teria feito sexo com ela sem consentimento. A moça disse ter pedido ao modelo para parar, mas ele não obedeceu. Ela foi encaminhada para exame de corpo de delito no Instituto Médico-Legal.

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