Polícia acha mais documentos falsos e não sabe se suspeito no caso Bruno e Dom é colombiano ou brasileiro

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BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - A Polícia Federal encontrou documentos de diversas nacionalidades em uma busca feita na casa do traficante Ruben Dario da Silva Villar, o Colômbia, que pode estar envolvido nas mortes de Dom Phillips e Bruno Pereira.

Inicialmente, pessoas da região do Vale do Javari, região que faz fronteira com Peru e Colômbia, acreditavam que ele era peruano. O traficante, no entanto, se apresentou à polícia no início do mês com uma identidade supostamente brasileira —ele acabou preso por uso de documento falso.

Na operação de busca e apreensão feita nesta sexta-feira (22) em uma residência dele, a PF encontrou um Rani (Registro Administrativo de Nascimento do Índio) que diz que ele é da tribo indígena Kokama.

Segundo os registros do ISA (Instituto Socioambiental), o povo Kokama habita a região dos Solimões, também na tríplice fronteira entre Brasil, Peru e Colômbia.

No entanto, pessoas ligadas às investigações ouvidas pela reportagem de maneira reservada disseram que as informações apontam agora para que os documentos encontrados sejam falsos e, na verdade, Colômbia seja, de fato, colombiano.

"Na propriedade também foi encontrada uma nota comercial em que o nacional [Colômbia, designado assim por ter apresentado RG brasileiro, falso] se identifica como Rubens Eduardo Da Silva de Souza, porém nenhum documento oficial com esse nome foi encontrado na residência", afirma a PF, em nota.

A Polícia Federal prendeu Colômbia no início do mês. Ele se apresentou espontaneamente, segundo a força, dizendo que tinha como objetivo esclarecer informações que estavam sendo divulgadas na mídia a respeito do nome dele de sua relação com o crime e com o tráfico de drogas.

Segundo o superintendente da força em Manaus, Eduardo Fontes, ele confirmou que mantém relação comercial de pesca na região com um dos assassinos confessos: Amarildo da Costa de Oliveira, o Pelado.

Pelado é um dos três presos e denunciados à Justiça pelo duplo homicídio no assassinato de Dom Phillips e Bruno Pereira, no Vale do Javari. A Justiça Federal em Tabatinga, também na tríplice fronteira, já aceitou a denúncia, o que significa que eles se tornaram réus. Agora, haverá instrução do processo, até uma eventual condenação.

Na denúncia, o Ministério Público Federal afirmou que "o que motivou os assassinatos foi o fato de Bruno ter pedido para Dom fotografar o barco dos acusados". A motivação é fútil e pode agravar a pena, conforme a acusação.

A investigação da Polícia Federal sobre os assassinatos do indigenista e do jornalista tenta desvendar o "nível de ódio", nas palavras dos investigadores, que levou pescadores da região do Vale do Javari a executarem os dois.

Para os investigadores, ainda não está claro se houve uma organização prévia do crime, inclusive com participação de diversos integrantes da mesma família, ou se a decisão de assassinar Bruno e Dom teve um aspecto repentino, a partir do momento em que se soube que os dois estavam transitando pelo rio Itaquaí, na região do Vale do Javari, rumo a Atalaia do Norte (AM).

O esclarecimento da motivação com mais objetividade pode ser decisivo para o apontamento da existência ou não de um mandante dos crimes, segundo investigadores ouvidos pela Folha sob a condição de anonimato.

A PF investiga também, paralelamente, a verdadeira identidade de Colômbia. Os documentos apresentados inicialmente por ele eram brasileiros, com nome Rubens Vilar Coelho.

Durante o depoimento, Colômbia afirmou que nasceu em Letícia e, ao ser questionado, apresentou documentos colombianos com nome Rubem Dario da Silva Vilar. A polícia está em contato com as autoridades do país para descobrir em cartórios da região onde de fato Colômbia nasceu.

A principal linha de investigação do crime até agora é que os pescadores atuam na pesca ilegal na terra indígena Vale do Javari em relações comerciais com traficantes na área de fronteira. O superintendente afirma que não há provas, mas que a PF investiga se Colômbia tem relação com tráfico de drogas.

"Sobre a relação com os pescadores, ele cita que tem relação, que compra peixe, segundo ele, de forma lícita. Então, tem uma relação comercial com essas pessoas, inclusive, o Pelado, ele cita", afirmou Fontes sobre o depoimento de Colômbia à PF.

De acordo com o superintendente, o suspeito nega participação e mando nos assassinatos de Bruno e Dom. E sustentou que a relação dele com o comércio da pesca na região é legal.

Pelado confessou participação nas execuções e está preso desde as primeiras etapas da investigação. No último dia 8, ele foi transferido de Atalaia do Norte, cidade na tríplice fronteira do Brasil com Peru e Colômbia, para Manaus.

Também participou dos assassinatos, conforme confirmado aos policiais, Jefferson Lima, que vivia em Benjamin Constant, cidade próxima a Atalaia do Norte. Ele também está preso. A mulher de Jefferson é parente de Pelado, segundo a investigação.

Um terceiro preso é um irmão de Pelado, Oseney Oliveira, o Dos Santos, que nega participação no crime. Jefferson e Oseney foram transferidos para Manaus neste sábado (23), disse a PF.

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